Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

As flores mantenho n'água

As flores mantenho n'água

Dos que me foram caros
sumidos ou consumidos
tal os prazeres raros
perecíveis como as flores
não foram mais que amores
todos perdidos
depois de usados

foram amores frustrados
dilacerados rendidos
sutilmente escravos
da alcova de horrores
não foram mais que invasores
pretensiosos perigos
fatalmente enganados

seduzidos e fascinados
foram heróis e bandidos
no íntimo apenas atores
canastrões amadores
parasitas nocivos
patrocínio
das subvenções e agrados

As flores mantenho n'água
só para vê-las murchar
em seu vaso de mágoa
catando a luz pelo ar

wasil sacharuk

imagem: RAFAELA HETZER

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