Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

A bifurcação

A bifurcação

A noite mal começara
e da estrada
pensei ter ouvido um chamado

cruzei atalhos de capim alto
até vislumbrar a campina
ampla como lua
 a cheia
e à mancheia
me fartei de atmosfera

 interceptando o sol
a montanha

risquei a viela de pedras
passo a cima
uma a uma

no ponto crítico
a bifurcação

da trilha estreita
vi a ponta da plataforma
e um furo na pedra
uma gruta

dentro da rocha
um reino de fogo
e tal lótus
 um homem velho
o contemplava

apanhei uma acha de lenha
joguei na boca da chama
o clarão iluminou a face do velho
e o espírito da terra
ardeu em seus olhos
sua boca cuspiu signos

nessa noite
ouvi sobre o fluido da vida
que foi derramado
no solo sagrado
e das dores enterradas
verdades mal contadas

refiz tantos caminhos
investido da alma do mundo
foi daí
que me fiz poeta

e o velho?
ainda contempla a vida de lá
da bifurcação
ouvindo seus signos
ecoarem nas rochas

wasil sacharuk


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