Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Na rota do estupor

Na rota do estupor

Dona Quifêrva está velha 
pela casa insalubre
arrasta esfarrapadas pantufas 
com odor de cachorro molhado

O seu grande legado
a essas alturas da existência 
é o aprendizado
de que comer e dormir
talvez dormir e comer
evita medidas drásticas

Introjeta emoções homeopáticas 
nas novelas televisivas 
e nos programas de auditório
quanto mais pobres de utilidade
melhores serão
resguardam a sensibilidade 
do cansado coração
que lá essas coisas
já não anda

Eis que troca as demandas 
por um café reforçado
dois ou três pães franceses 
quentinhos e estufados 
com presuntos e queijos

O seu único desejo
habita entre a cama e a mesa
na rota do estupor
donde tem a certeza
se um dia desses ela vai
nesse dia vai sem dor

wasil sacharuk


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