Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Desembocaduras

Tela: Paul Rumsey


Desembocaduras

Ah que há em nós
viés de desembocaduras
donde perpassa poesia
a obscuridade dos dias
e a clareza
das noites escuras

nossos signos
desaguam tal foz

ah que há beleza
onde cruzam as vias
a apertar os nós
dos melindres e estruturas

encontro de rios
desaguam sorrisos
sobre a mania
de humanamente pensar
a vida dura

ah que paira no ar
a atmosfera de cura

wasil sacharuk
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