Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Do pó que faz pedra nas águas



Do pó que faz pedra nas águas

Tantos anos passados
não foram poucas
as navegações
pelas rotas mais loucas
a rodar timões
desenganados

estivemos lado a lado
copos na mesa
navegamos whisky derramado
marolas e ressacas
ondas de incertezas

nossa velha barcaça
move a vela 
de toalha de mesa
traz memórias acessas
tão vivas como antes
histórias de navegantes
pouco ou nada diferentes

nosso encontro na foz
fez poema de versos correntes
cuja origem é nascente das mágoas

assim somos nós
assim fomos feitos

do pó que se encerra
habita o fundo das águas
constitui antigo agregado

e lá do outro lado, na terra
aguardamos o dia perfeito
em que voltaremos ao pó

assim somos pedras
assim somos sós

wasil sacharuk
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