O caderno

O caderno

naquele caderno
descansavam letras
contorcidas e pretas
caladas e sem dom
inexpressivas sem som
tantas danças
cabeça e caneta

nas páginas brancas
jazia a destreza
que desarrumava palavras
devolvia perguntas
embaralhava nuanças

o clamor da beleza
jamais alcança
o embaraço das luzes
das ideias abstratas

se bem que um caderno
pode ser céu de papel
ou combustível do inferno

wasil sacharuk

EMOJI_2017_CADERNETA_CAPA01

The brazilian bundamolism

The brazilian bundamolism

Quando os abutres chegaram
estúpidos cadáveres já habitavam vera cruz
completamente duros e inertes

no entanto
conservaram intacta a moleza dos seus glúteos
por mais quinhentos e tantos anos

chamaram a isso: malemolência!

wasil sacharuk

Passeio breve

Passeio breve

Aprende, mulher
a vida segue
ainda há espaço
para os lamentos

a escultura do tempo
revela-te em traços
e as tuas faces
têm novos contornos

a vida segue
passeio breve
no jardim das belezas

aprende, mulher
que o poeta te ensina
na esteira dos dias
há novas surpresas

a vida veste poesia
a vertente sangria
nunca termina

na ciência das coisas
cada átomo-coisa
tem lá sua sina
e se morrem as coisas
não é a ruína

a vida segue
passeio breve
no jardim das belezas

wasil sacharuk

nada se perde, nada se cria1

Inspiraturas