Ao redor da caverna

Ao redor da caverna

não estou confinado na geometria
não sou outro adepto das idolatrias
nenhuma promessa de mundo melhor

e nada me priva da luz do sol
qualquer juízo não é ameaça
qualquer vela de chama escassa
não se compara ao meu arrebol

não tenho a posse da sabedoria
recuso ao batismo da hipocrisia
nem sei recitar escrituras de cor

sou o compromisso da vida que passa
pelas sombras impressas numa parede
se eu não sair para caçar serei caça
não vou morrer sem matar minha sede

não estou sob um jugo à revelia
não sou silenciado e digo heresia
não sou outro escravo do teu senhor

meu trato com a vida rompe grilhões
sem fundo de poços e longe do abismo
ao redor da caverna há tantas paixões
há o entendimento sem determinismo

eu sou uma essência que induz poesia
sou os versos latentes da ontologia
que só admite o poder do amor

wasil sacharuk

Caverna-de-Platao