Sortilégio

sortilégio

habita
as altas colinas
e indelicada
manipula elementos

faminta
vinga nas matas
enfrenta os ventos
mastiga raízes
engole os frutos
absurdos
que repelem a dor

ela adora
os acentos agudos
nas palavras esdrúxulas
o dó das cicatrizes
sangra lamentos
ao risco de espora
marca vírgulas

antropófaga
poisa nas várzeas
insensata devora
os próprios músculos
desde o crepúsculo
até a aurora
do próximo amor

wasil sacharuk

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