patrocinador

Desejo confesso

Desejo confesso
 
Gosto de ficar em teu peito
leito donde verte minha poesia
gosto dessa tua mania
de me bagunçar os cabelos
os pêlos e os versos
 
Gosto dos rumos dispersos
que conversam com tua ousadia
e gosto da tua filosofia
que me faz sucumbir em desvelos
meu desejo confesso
 
E gosto além da conta
dessa afronta dos beijos teus
ah o apogeu em tua boca
quando sente-me a pele sedenta
e me sacia o corpo ávido
 
Mas amo o sorriso tão cálido
que os teus lábios ostentam
quando se abrem aos meus
 
Angela Mattos & Wasil Sacharuk
poetisa Angela Mattos

Mûre

Mûre

Mûre do espaço
relâmpago e afago
os longos braços
da doce energia
emerge poesia
para fazer-se criança

Mûre da esperança
conta os patos
que nadam no lago
ensina a esperar
o festim da alegria
enquanto encurta
as distãncias

Mûre das lembranças
da visão do futuro
e das velhas histórias
traz a memória
dos mares profundos
enquanto canta
aos cantos do mundo

wasil sacharuk

morsure-chiens-proteger-enfant

prado imenso dos lírios infindos

prado imenso dos lírios infindos

prado imenso
dos lirios infindos
ofertório
do alimento
dos seres ingênuos
e pequeninos

vasto domínio
dos lírios infindos
observatório
da ave semente
nas terras
dos intentos divinos

wasil sacharuk

 

download

amargo 69

amargo 69

amarga-me
a recolhida língua
à dormência
captura de essências
do limão e do sal
absinto

desidrata na cal
meu toque áspero
tempero-te
de agridoce atrito
de suor e fluído
vinagrette
de amor seminal

desliza e arde
contorcida língua
nas gotículas de  pele
no cheiro da febre
óxido de ferro
e ph vaginal

wasil sacharuk

dddd

Órbita

Órbita

habito estrelas
descrevo curvas
que perpassam 
a cadeia de rochas
crosta do teu planeta

a cada manhã
recolho sonhos
plantados na arcada
dos teus olhos
quando miram o sol

assim posso vê-los
se fecho os meus

habito satélites
corpos celestes
em trajetória suave
observatórios
de ocultas verdades.

wasil sacharuk


Canta comigo princesinha

Canta comigo princesinha

Canta comigo princesinha
pula e dança na cozinha
sobre a insignificância da vida
enquanto eu faço a comida

princesinha
só há maestria
em prender poesia
entre os dentes

princesinha
a maior alegria
é tomar café quente
sentada ao poente

ri comigo princesinha
para afugentar todo o mal
aos lobisomens
por entre os coqueiros
e dar boa noite
aos bois no quintal

wasil sacharuk

imagescanngbbm

pioggia gentile

pioggia gentile

no inverno
tão pouco chovias
sobre as igrejas
nas arenas
nas ruínas
          chuva fina

só gotas frias
chuva de confetes
serpentinas
e canivetes

non correre il raggio
pioggia gentile

que tua melodia
seja livre

nos dias
carentes
de poesia
viveste a ira
imponente dos raios
               chuva suave

o céu
com poeira de estrelas
traçou outras linhas
horizontes do eu
chuva minha

non correre il raggio
pioggia gentile

que tua melodia
seja livre

wasil sacharuk
rain_lights_by_kateey-d3i3m7p
Rain Lights by Kateey

Analgesia e placebo

Analgesia e placebo

busca o alívio
pelo sangue que jorra
dos buracos de faca
no mar gosma verde
num século de sede
o dia de ressaca

busca o alívio
dessa dor que ataca
que judia que fere
logo adoece
depois mata

busca o alívio
na mesma crença ingrata
que te pede e promete
um novo milênio
de novas bravatas

busca o alívio
numa letra de hino
nas ciências exatas
nos sistemas de ensino
na pintura abstrata

busca o alívio
nas ideias compradas
filosofias baratas
nas sentenças mais curtas
nas comidas em lata

busca o alívio
nas vivências passadas
nas certezas já prontas
que jamais dizem nada.

wasil sacharuk

 

placebo3

zimbro

zimbro

Sob os frutos
de zimbro ao pé
deitei secretas memórias
relegadas ao limbo
sedimentadas
tal pedras

sob as folhagens
alcei a viagem
nas asas dos versos
rumos repletos
fatal emoção
apertada
em nós abstratos

sob a árvore
estendem-se campos
da criação
livre dos entretantos
da coerência ou coesão

sob a paisagem
universos imensos
contextos completos
recriação
dos tantos retratos

sob os sapatos
frutinhos esmagados
espargidos e coagulados
de rubra poesia

wasil sacharuk

 

001

Rosa vermelha orquídea negra

Rosa vermelha orquídea negra

enquanto dormes
contarei-te as novas
das mil e uma
longas longas longas
noites silenciosas

entenderás
os versos de distração
difusos nas ondas 
sobem sobem sobem
perpassam muros
da razão

sentirás
o velho sopro obscuro
frio anjo demônio
andejo dos umbrais

saberás
desses tempos reais
e seus sonhos
artefatos de poesia
céus e infernos
algo para não acreditar
algo para esquecer
queimar os cadernos

rosa vermelha
orquídea negra
floreiras brancas do descanso
chamam alegria ao imenso jardim

a vida é córrego
e onde a morte 
jorra nascente
rebrilha luz estelar

rosa vermelha
orquídea negra
não há sacrifício 
nas cruzes
se o capim verde
cresce em volta

rosa vermelha
orquídea negra
não há sacrifício 

a vida é córrego
e onde a morte 
jorra nascente
rebrilha luz estelar

wasil sacharuk


Hospital Hezbollah

Hospital Hezbollah

Botou ele
mais sal
no prato dela
aumentou a pressão
sentiu mal
partiram direto
para o hospital
Hezbollah

e lá
ela girou
fora para dentro
dentro para fora
pulou sapata
comeu rapadura
mascou chiclete
jogou bola

quando nada lhe falta
no mundo conquistado
ela quis ser rastafari
conhecer astronautas

pagou ele
pela picada letal
congelou toda ação
desatino total
ela partiu direto
ao abismo infernal

e lá
ela virou
direita esquerda
esquerda direita
conheceu o capeta
o saci pererê
o boi da cara preta
e foi-se embora.

wasil sacharuk

hh