Navegantes do escuro

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Navegantes do escuro

pairam estranhezas
ofuscantes tal lampião
navegantes do escuro

voam soturnas
até quando
despencarem manhãs
secarem ao sol
fluídos do amor
no velho lençol

sobrevoam estranhezas
sobre as cabeças
borboletas falenas
mais de cem
as conheces tão bem

e aos nossos pés
navegam desengonçadas
difusas crenças

esperamos tanto
pela noite alucinada
para dançar e dançar
divertir pirilampos

e tu danças
eu canto
alto
no céu
por ti

se aqui
ninguém entende
o que sentes
ninguém pensa
o que sinto

mas sabemos colorir
as amarguras impressas
nas paredes sem cor

e tu cantas
eu danço
alto
no céu
por ti

se aqui
não há lugar
para andar sem destino.

wasil sacharuk