Tesoura

Tesoura

Não faças fita
do elástico
que aperta minha cueca
canção de pagode
dilacerado
grito rasgado
onde o saco
se agarra à cintura

não faças fita
dos meus carpins
e outras meias
de elastano e cetim
que escondem frieiras
e outras nojeiras

não faças fita
da minha camiseta
a mesma que usaste
para secar a boceta
e num relance limpaste
a boca suja de leite

não faças fita
da fatiota de defunto
preciso usá-la muito
numa orgia celeste

não faças fita
das minhas vestes
senão fico pelado
todos verão deslumbrados
a real dimensão
do que queres cortar.

wasil sacharuk


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