Meus demônios


Meus demônios

meus demônios de ouro
têm lua na arte
ascendente escorpião
veneno das máculas
criaturas e entidades
que vigiam as águas
e habitam cidades
entre o alto do céu
e o fundo do chão

meus demônios precários
não trazem do ser a semente
são diabos errantes
e indiferentes
metades de santos
dos mitos e enigmas

legítimos signos
da farsa humana de existir

meus demônios de cânhamo
presos numa garrafa
curandeiros das farsas
dos enganos e trapaças
nos dias de chuva
observam a vida fluir
por detrás da vidraça

meus demônios imundos
desconhecem a lástima
que num poço profundo
foi vertente das lágrimas
renegam as graças
do abismo da crença
e as sentenças alvissareiras

meus demônios da dança
giram em volta à fogueira
junto às chamas do amor.

wasil sacharuk

imagem: Ellen Rogers



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