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Pela janela aberta

Pela janela aberta

Vi da janela aberta
os nós do cotidiano
as coisas que andam mortas
tal fossem passos humanos
 e vi pelas grades tortas
semblantes indiferentes
cabeças girando tontas
as dores de toda gente

Havia razões incertas
e os mais tolos enganos
pessoas andando lentas
ratos saindo dos canos
crianças correndo soltas
em busca dos pais ausentes
os cães mijando em volta
as dores de toda gente

E vi que a carência é farta
os pensamentos insanos
o amor que mata e que corta
saúde restrita a planos
casas de vida barata
prometem carícias quentes
conversas vazias chatas
as dores de toda gente

a vida parece ingrata
mas pode ser diferente
são sempre tão inexatas
as dores de toda gente.

wasil sacharuk