Haviam faces

Haviam faces

Haviam cortes chanfrados
cuidadosos e laminados
brilhantemente polidos

estenderam-se tal lápides
espelhadas
cada qual com seus cantos
contornos e expressões

haviam nuanças diversas
e milhares de olhos
pontiagudos

veriam matizes estranhos
em tons tergiversos

faces que delatam belezas
juntadas às dores e tristezas
e além do possível
a fome de se fazer vida

faces vertentes de inexatidão
a linha tênue das crenças
e da satisfação

faces denotam clichês
de amor e de ódio
pintadas de versos latentes
ideias escandalosas
e iluminuras

faces que formam figuras
abstrações e palavras

haviam faces ultrajadas
emoldurando sorrisos discretos
que pareciam felizes

haviam faces e agora
vemos somente seus rostos
encravados
nas cabeças imóveis.

wasil sacharuk