Gororoba nuclear

Gororoba Nuclear

Dor de barriga. Todos nós aqui de casa. Ainda ontem, a velha carcaça acostumada aos maltratos das faltas e dos excessos, rejeitou certo negócio de estranha textura e gosto intrigante e inócuo de plástico que, por vezes, lembrava isopor. Mas com isopor já estou habituado, desde os chips “isoporitos” com sabor de picanha. Quiçá, menos letal do que churrasco friboi.

Agora tenho um grande abacaxi para descascar: o que dar de comer às crianças? Bom, por enquanto, a prole vai garantindo a cidadania enganando as pobres solitárias. IMG_20160822_093843379

Hoje eu comprei uma lata de uma farinha de mingau que se mistura ao leite e, absorvida a gordura, realiza estranha mutação numa pasta gelatinosa de aspecto duvidoso. Há algo de futurístico nisso. Fiquei imaginando meus meninos, depois de metabolização do grude sintético, caçando androides pelo quintal.

Dia desses, ouvi um líder espiritual dizer na TV que nossos corpos, mentes e alma são representações daquilo que comemos. Se isso é verdade, aguardo o momento de toda a existência da minha família se diluir naquele mingau pardo. Para não ficarmos todos com  aparência de meleca inerte, vou misturar ao mingau aquele pó cor-de-rosa de tingir leite. Rosados, seremos emblemas de boa saúde.

E, para dar substância à gororoba nuclear, precisei comprar leite, mas só havia daquele de caixinha. Perguntei ao atendente do supermercado:

-Moço, esse aqui é o que contém soda caustica ou é o da água oxigenada?

-Sei não, senhor, não diz nada na caixinha. Mas é melhor usar máscara de proteção e luvas, antes de abrir. Só para garantir.

wasil sacharuk

Esse site é apoiado por INSPIRATURAS