nem só de versos

Além da barata venenosa, cientistas brasileiros descobrem uma inusitada espécie animal de primata bípede, provavelmente derivada do novo gênero "mulher sapiens", existente apenas no Brasil e ainda praticamente desconhecido pela ciência. Os membros dessa espécie têm um cérebro diferenciado, com inúmeras capacidades como o raciocínio e a linguagem desenvolvida pela exteriorização de fluidos corporais. Costumam veicular sua comunicação por meio de catarro, urina e fezes. Alguns exemplares desenvolveram a faculdade de balbuciar a expressão "não vai ter golpe". Criaram estruturas sociais compostas de grupos formados por cleptomaníacos, desocupados voluntários e fãs do chico buarque. As interações sociais entre esses tipos criaram uma variedade de tradições, rituais, normas sociais e éticas, leis e valores, que em conjunto formam a base da sociedade humana decadente e corrupta. A cultura é marcada pelo apreço à posse do patrimônio público.

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Quando eu penso que o governo não tem mais o que vulgarizar, me aparece uma porra de um ministro baixinho com cara de comediante americano a exibir sua boneca siliconada que sacode as generosas nádegas premiadas em frente à Esplanada. Só pode ser golpe. A presidanta está aprontando alguma... tem maracutaia naquele rabo. Será um fundo falso para carregar propina?

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-O trabalho é fácil: você vai militar no facebook. Consiste em compartilhar posts mentirosos e denegrir os opositores. Moleza. Até criança faz.
-Mas se alguém perguntar algo que eu não sei? O que eu faço?
-Sabe dizer: não vai ter golpe? Diz aí.
-Sei, não vai ter golpe
-Isso, perfeito. Então repete isso sem parar. Não vai precisar dizer mais nada.
-Mas se o coxinha insistir? Tem uns que insistem.
-Cospe nele
-Cuspir pela internet?
-É, acho que não dá. Então diz não vai ter golpe. No fim do dia te trago um pão com mortadela
-E os trinta paus? Não vai ter?
-Não dá, o diretório está com dificuldades. Levaram o cofre.
-Então não quero o trabalho
-Seu fascista, reaça. Você tem nojo de pobre, elite branca.


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A Tortura da Mente de Jair

 - Vai Jean... assim... engole. Agora, Jean, eu vou... na tua boquinha... se engasgar, tu cospe

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 -Meu Brahma, eu não sou de grelo duro.
-Péra, cumpanhera, não foi isso o que eu quis dizer. Eu quis dizer que as mulher do partido têm bravura, são guerrera, são mulher de culhão, que se facilitar, arromba as prega desses coxinha.
-Eu sabia, meu Brahma, que eu estava errada. Se depender do meu, estaremos de volta em 2018.

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 - Jandira, Jandira, acorda! Liga para a Rosário e vamos logo!
- o que houve Jean, a dilma caiu?
- Não, não, é aquela rachada peituda balançando o cuzão no planalto. E o melhor cuzão é o meu! É golpe! Botaram ela lá para roubar nosso chefinho de nós.
-Esquenta não, Jean. Vai ver até o chefe traz aquela delícia para nosso lado. Já viu os peitão dela?

Alma das paredes

Alma das paredes

aqui é cinzento
nessas casas lindas
do século XVIII
suas paredes têm alma

aqui são tristes
passam calmas
as noites frias
e dos úmidos dias
apenas ouço
os murmúrios

aqui é escuro
profundo
tal poço
as cores sombrias
perpassam 
os olhos intrusos
que me habitam

eu ainda te vejo
eu ainda te vejo
te vejo
para sempre

apenas ouço
os murmúrios

aqui é cinzento
nessas casas lindas
do século XVIII
suas paredes têm alma

eu ainda te vejo
eu ainda te vejo
te vejo
para sempre.

wasil sacharuk

Luz que espreita a lua

Luz que espreita a lua

Teus olhos
mantenhas fechados
alguns minutos
seis ou sete

estarei ao teu lado
nada faças
apenas sintas

se depois
quiseres voltar
cá estarei
tal luz
que espreita a lua
lado oposto
ao escuro.

wasil sacharuk

Transportado

Transportado

estive em meu corpo
rejeitado e morto 
horas a fio
visitei galerias
um espaço sombrio
alagado e vazio
sem poesia

ninguém ao meu lado
solitário e cansado
estive com frio

escutei lamúrias
da esquizofrenia
insensatas histórias
no mundo quadrado
sem poesia

delirei acordado
o meu corpo suado
estive febril

estive enterrado
na lama das memórias
passagens inglórias
e andei por aí
transportado
por vias aleatórias

e passaram três dias
indistintos calados
sem poesia.

wasil sacharuk

Febre

Febre

fagulhas diluídas
despencam líquidas
são agressivas
tal coberta
urdida em lava

conexões abertas
repetem cismas
dos desconhecidos
desrugam a pele
a boca repleta
responde em gemidos

tecidos queimam
com nacos de gelo
e estalidos

o corpo banhado
no choro vertido
alquebrado
pela dor.

wasil sacharuk

Ócio criativo

Ócio criativo

na malandragem
na deboagem
sem ironia
sem cinismo
só poesia
só deboísmo.

wasil sacharuk