Rouco gemido


Rouco gemido

O grito que te rasga a voz
renuncia aos teus argumentos
evoca barbáries
lamentos
apressa as intempéries
de todos os tempos

o grito te desata o nó
faz retalhos
provoca catarses
estragos
no abismo dos impasses
risca um atalho

Talho rouco na pele do eclipse
faz sangrar os céus 
em magentas azulados
gotas de medo e espasmos
nos céus de todos os ritos

Varamos as madrugadas desnudas
silenciosos ecos flamejantes
por entre fogueiras errantes
estrelas dançantes riscadas no chão

E Enfim,
O berro ecoa lancinante
Fazendo malabarismos de instantes

E morre gelado na glote

Outra vez.

Wasil Sacharuk e Márcia Poesia de Sá

Inspiraturas