Elementais azuis


imagem: Anorkinda Neide

Elementais azuis

Eu jamais poderia ter feito um céu assim, tão azul. Nele plantei a fada de cabelos cacheados; um pensador carrega um duende hermeticamente fechado numa caixa de isopor;, uma bruxinha do bem, de cor violeta, para contrapor a magia ambígua e contraditória da fada  e, ainda, uma musa bela e míope para inspirar poesia desnorteada. 
Nenhum outro céu vibraria tão bem em acordes de poesia.
Para chegar até lá, construí uma ponte de madeira de lei. Como um esquadro tanto torto, invade o leito das águas e alcança o risco do horizonte.
Hoje, fui até lá sentar junto aos comparsas azulados para beber o vinho das letras em canecas aladas. O tilintar das louças fez a vibração que acorda um mago da poesia, coitado, andava tanto adormecido num cantinho a espera da canção. Então, logo a cantamos. Eu jamais poderia ter cantado assim, nesse tom tão azul.
Sobre a ponte, remeti o verso ao infinito. O danado rompeu camadas celestes para depois cair fofo na nuvem chorona.
Eis que o mago da poesia o alcançou com uns doidos fluidos magníficos que jorravam quando eu e meus amigos enlaçamos nossas mãos.
Capturado, o verso fujão foi fatalmente afixado no meio de um poema caótico. 
E do caos da poesia, erguerei outros céus... tremendamente azuis... ainda que podem ser de outras cores.
Serei eu o artesão de uma nova ordem.

Wasil Sacharuk