Tela de lua


Tela de lua

Um voo na noite
viagem distante
eu e as corujas
viramos estrelas
intrusas
na janela 
tela de lua
do teu quarto

dormias nua
sem recato
teu semblante
lavado nas águas
da nascente de lágrimas
que de mim
te inundaram

vestimos folhas soltas
de tuas árvores
eu e as aves

e quando veio o dia
eu trouxe na boca
um verso livre
da tua poesia.

Wasil Sacharuk

Ciranda dos braços



Ciranda dos braços

Poetas cantam
ciranda dos braços
quando luzes de versos
envolvem o espaço

Quando há poesia
são curtos os laços
cruzados convexos
por todos os lados

Poemas refletem
destinos emoldurados
nas mãos que se cruzam
num signo encantado

Das divinas mãos dos poetas
entrelaçam incertas
um amor desvelado.

Wasil Sacharuk

Ao mago da pena, por Márcia Poesia de Sá



Ao Mago da pena.
( O acolherador !)

Tu que do vento uivante fazes versos
e que do frio intenso fazes queimar esperanças.
Tu que com esta vida brincas de criança,
e escreves amalgamando distâncias...

tu que ousas crer no improvável
e com total talento ensinas o inabalável
desejo de melhoras e sonhos reais.

Tu que começastes sozinho a unir pedrinhas
e a brincar com palavras, formastes linhas
de um conto especial que jamais finda!

- Meu muito Obrigada !

Tu que sugas o verde amargo
e sopras os mais densos e doces verbos
sobre o horizonte da página antes, brancas
deste pseudo acaso literário.

Hoje vejo não uma, mas muitas páginas
e mais páginas se unem a nós,
neste teu, e hoje, nosso infindo livro de abraços.

E é a tu, imensa folha imã de nós todos,
alguém a quem me orgulho de chamar de amigo,
que venho hoje, assim tão simplesmente agradecer
e de todo meu coração queira saber,

sou do teu sonho, da tua amizade e do teu riso,
um ser inteiro e eternamente cativo !

Márcia Poesia de Sá

Quando estive cordascente - palavrinventada®


Quando estive cordascente

Subi aos céus
junto aos demônios cordascentes
não éramos bichos
não éramos gente
somente um brilho faiscante
um raio resplandescente
tipo de magia
que mistura poesia
com uns tragos de aguardente.


Wasil Sacharuk


Antes que te esglote - palavrinventada®

Antes que te esglote

Melhor salvares teu pescoço
antes que um ataque te esglote
e depois te deslaringe
te mate de desofagia

melhor morreres de poesia
do que de fricote
daí não te finge
e confies na traqueologia

livra-te das renalgias
que te aprisionam os mijos
e os pedregulhos mais rijos
nos autos da bucetologia.

Wasil Sacharuk


bunda mole



Sabes por que:

-teus políticos te roubam?
-te assaltam nas ruas?
-teus filhos são semi-analfabetos?
-teus parentes morrem nos hospitais?
-teu salário é ridículo?
-teu banco te extorque?
-tua escola está em greve?
-tuas prestações estão atrasadas?
-Teu padrão de vida é decadente?
-tua aposentadoria é indigna?


É porque tua bunda brasileira é muito mole.
E teus miolos brasileiros são mais moles ainda.
Porque recusas o conhecimento e a cultura e te preocupes demais com quem está comendo quem na novela das nove. E saibas: em cabeça mole não reside consciência.

E, sem consciência, tu só vais te foder... Merecidamente. Frouxo!

Ficaste furioso? Aí que medo!

Gatucho



Gatucho

Teus olhos gatuchos 
são ingênuos
me parecem tão plenos
horizontes de mim

te olho assim
navegante do futuro
permaneço contigo
viajantes imaturos
distantes do abrigo
longe do porto seguro

te enxergo em mim
intenso ou ameno
no claro ou escuro
em todos sentidos
no riso incontido
e também nos apuros.

Wasil Sacharuk

Certas Circunstâncias

Certas Circunstâncias

Calo...

Calo conforme coração cede
cutuca célere
comovido
coração caído
consignado
com certas circunstãncias

Coração carece calar
cessar consonâncias
cessar calores
carinhos
conversas cantadas

cada certeza
cai calada
carrega consigo
cada conclusão conveniente

calo com companheiros
com compromissos
com conquistas
com carinhos

certas circunstâncias
conduzem corpo calar
consternado
cativo
caindo como casarão centenário
corroído

calo, contudo
continuarei
cortando caminhos
com cabeça competindo
com certas circunstâncias.

Wasil Sacharuk


Acaso parasse a chuva

fotografia: Diário Popular Pelotas


Acaso parasse a chuva

Se parasse a chuva danada
não tardaria nada
a esquecer o medo
e abrir a porta

as crianças levariam
os brinquedos
para o quintal

Não sei se penso bem
ou se penso mal
mas pouco importa
essa chuva trouxe tristeza
do tipo que corta
levou tanta vida
e tanta beleza

Nas hortas
lavouras e pastagens
um espectro da morte
e a sorte
veio na estiagem
o esforço frustrado
o cansaço e o arado

Acaso parasse
decerto eu passaria
a plantar existência

talvez vingar semente
que na impermanência
vai morrer pela gente
na chuva ou na negligência.

Wasil Sacharuk

A menina e o corisco


A menina e o corisco

Ao redor nuvens carregadas
de emoções vermelhas
estocam raios prateados
aprisionam centelhas

A menina engraçada
sem galochas ou luvas
rompe o dia cinzento

e um guarda-chuva
enlouquecido
abre-se ao vento

meio perdido
virou passatempo
colorido.

Dhenova & Wasil Sacharuk

Amigo poeta



Desde 2009, contribuir para o desenvolvimento da poesia na internet se tornou meu melhor passatempo. Daí, junto aos amigos, fizemos surgir a Nova Ordem da Poesia para servir de arcabouço para as peças e repositório de grandes amizades. Sabe, eu nem sei ao certo porque faço isso, mas fico feliz em perceber mais gente escrevendo literatura. 
Hoje fiquei muito emocionado com a homenagem do poeta Paulo Moraes, a qual transcrevo abaixo. 
Quando despenca uma ou outra lágrima, passo a perceber o sentido de tantas coisas: carinho, gratidão, amizade, arte e beleza... tudo muito pleno de significados. 
Grato, poeta. Quero saber de meus filhos lendo essa peça no futuro e possam, assim tal eu, passar a compreender os significados.

"AMIGO POETA!!

(em homenagem ao Poeta Wasil Sacharuk, por sua contribuição à poesia
e por estimular e incentivar o surgimento de novos poetas)

Ah meu amigo! 
Eu sei que tu conjuras
flores imaturas
e das tuas mãos saem afagos
de eterna saudação.
Ah meu amigo! 
O sol brilha nas tuas palavras. 
Elas são como um bálsamo
repleto de amanhãs. 
É o teu corpo invencível 
que derrota os malefícios 
e conduz os teu passos firmes 
entre as pedras amigas. 
Já vi tua caneta romper muralhas, 
com a sensibilidade
dos jardins resolutos. 
Entre o sonho e a vigília 
tu preparas o banquete das estrelas. 
É a Lua que te aplaude 
com seu robusto peito de pérola. 
Navegamos juntos, nos mesmos versos, 
colhendo os horizontes de cada dia.
Mas sempre, és tu, 
quem rema com maior entusiasmo. 
Nesta fortaleza estamos amparados, 
por causa da tua incessante generosidade, 
carregando os nossos fardos
de ânsia de poesia.

PAULO MORAES"

Helyna e o Ice Cream

Helyna e o Ice Cream

Menina
senti dor no córtex
tomei um sorvete gelado
preciso do agente neutralizador
que faça passar
a tal dor

Menina
me aqueças da hipotermia
pois posso morrer congelado
na alquimia
infinita das cores
a provar a poesia
de meia centena de sabores
consistentes
sem conservantes
elegantes
e importados

Menina
ensina o cuidado
que vinga nas belas frutas
e transmuta
a natureza mais bruta
em doces texturas
de encantos
combinados.

Wasil Sacharuk


Proveito de poeta

poetisa Anorkinda

Proveito de poeta

Provei da insipidez 
de um verso branco
de viés desconexo
decalcado no léxico

Provei um verso manco
engasgado
perdido da fluidez
pleno de insensatez
num poema travado

Provei sem descanso
alucinado
sem regra, sem noção
com medo de assombração
objetivo abandonado

Provei da mutação
de um verso manso
de efeito visionário
libertado do imaginário

Wasil Sacharuk e Anorkinda

Elementais azuis


imagem: Anorkinda Neide

Elementais azuis

Eu jamais poderia ter feito um céu assim, tão azul. Nele plantei a fada de cabelos cacheados; um pensador carrega um duende hermeticamente fechado numa caixa de isopor;, uma bruxinha do bem, de cor violeta, para contrapor a magia ambígua e contraditória da fada  e, ainda, uma musa bela e míope para inspirar poesia desnorteada. 
Nenhum outro céu vibraria tão bem em acordes de poesia.
Para chegar até lá, construí uma ponte de madeira de lei. Como um esquadro tanto torto, invade o leito das águas e alcança o risco do horizonte.
Hoje, fui até lá sentar junto aos comparsas azulados para beber o vinho das letras em canecas aladas. O tilintar das louças fez a vibração que acorda um mago da poesia, coitado, andava tanto adormecido num cantinho a espera da canção. Então, logo a cantamos. Eu jamais poderia ter cantado assim, nesse tom tão azul.
Sobre a ponte, remeti o verso ao infinito. O danado rompeu camadas celestes para depois cair fofo na nuvem chorona.
Eis que o mago da poesia o alcançou com uns doidos fluidos magníficos que jorravam quando eu e meus amigos enlaçamos nossas mãos.
Capturado, o verso fujão foi fatalmente afixado no meio de um poema caótico. 
E do caos da poesia, erguerei outros céus... tremendamente azuis... ainda que podem ser de outras cores.
Serei eu o artesão de uma nova ordem.

Wasil Sacharuk

Inflação



"Se ocorresse um vendaval de moedas
faria um colar em forma de terço" (Lu Leal)
Oficina INSPIRATURAS/APCEF Regional Sul- "Inflação"- desafio de poesia livre

Inflação

Moedas quedam vendaval
de euros, francos
dólares, yens
muito mais
e além

se eu contar
até aborreço

nada mal
do dinheiro fiz um colar
de metal verdadeiro
em forma de terço
e do $Real
eu só fiz um chaveiro.

Wasil Sacharuk

MEU EU OCULTO - acróstico

MEU EU OCULTO - acróstico

Máscaras de mim
Ergui, por fim
Uma a uma

Escondi sobre as vigas
Úmidas contendas

O que sou ninguém liga
Coisa que cala a mim mesmo
Um verso solto, a esmo
Libertador das distâncias
Terra fértil das ânsias
Onde plantei meus rebentos.

Wasil Sacharuk

Metal

Metal

Luzes vermelhas, azuis, amarelas... de mercúrio e neon.
O asfalto e a dança dos faróis.
No céu, lua cheia, noite cristalina.
A mulher anda pela direita, passadas largas, rápidas.
O homem, á esquerda, pouco atrás, ritmo equivalente.
Empunha, o homem, objeto pontiagudo, metal brilhante.
A mulher veste casaco - um grande - gorro de pele, luvas.
Os passos apressados cessam junto à parede do casarão. Manchas vermelhas.
O homem sobre o meio-fio. A mão entreaberta ainda segura o metal.
A mulher abotoa o casado, livra-se das luvas e segue.

Wasil Sacharuk

Ao poema conselheiro


Ao poema conselheiro

liberdade em cascatas
despenca em palavras
fetiches e bravatas
oferendas ao amor
descrito nos versos

poeta ao avesso
linhas do despudor
penetra travesso
estocadas
líricas e obcenas

tu, poema, acenas
logo te peço
a passagem

ventos da viagem
lambem as asas
borboletas e fadas
recitam de cor
poemas diversos

poeta ao avesso
rimas de esplendor
penetram travessas
estocadas
em música e letra

tu, poesia, não esqueças
se te aviso
sou apenas passagem.

Wasil Sacharuk

Noites de estrela cadente

Noites de estrela cadente

Eu te procuro
nas noites quentes
de estrela cadente
que um dia plantei
no fundo do quintal

mas nunca eu sei
quando chega o sol
sei apenas ouvir
latidos dos cães
mas se gritas
ainda posso te ouvir

passo o tempo a sentir
e imagino que sintas
o teu próprio cheiro
impregnando as flores
deliciadas
em tua volta

no ballet dos amores
te vejo solta
como nos sonhos
caindo comigo
sobre lençóis
azuis cor de mar

são tantos sóis
para me acordar
dessas noites
de estrela cadente
que certo dia plantei
no fundo do quintal

wasil sacharuk

Inspiraturas