Seara

Canto triste



Canto triste

Eu sou a fera que mordeu o tratador
o bicho homem que do nada desistiu
eu sou o rio que comeu a ribanceira
sou a poeira que em teu olho fez pavio...

Sou primavera de aurora em tom sombrio
o lixo humano de esperança alvissareira
sou a vitória  que perdeu um desafio
 a  gravidade que despenca em corredeira

Sou a vingança que em poesia desespera
sou a hera que nasceu no mar bravio
o barco laico, o todo espaço,  o desvario
o mundo todo , uma saudade, um beijo frio

Eu sou a mágoa que irrompeu no teu amor
o choro seco que escondeu quando sorriu
o canto triste que ecoou em voz faceira
sou a porteira que fechou quando se abriu.

Márcia Poesia de Sá e Wasil Sacharuk