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Saudades aladas

Saudades aladas

Nos últimos sábados, duas abelhas adentram pela janela da cozinha, exatamente no horário em que sirvo o almoço.

Elas parecem ter feito amizade comigo e com meus filhos. Pousam na borda dos pratos, nos cabelos e sobrevoam em volta de nossas cabeças.

Hoje estou só, sem os filhos. Ainda assim, as abelhas vieram e, cada qual, pousou sobre uma de minhas pálpebras. Continuei almoçando devagar. Ficaram ali até que eu terminasse. Depois, uma decolou até a gola do meu casaco e a outra ficou passeando sobre o meu brinco.

Não fossem as abelhas, eu teria provado a melancolia do meu almoço solitário. Cheio de saudade doce.

Wasil Sacharuk