Sobre o Belo



Sobre o Belo

Sócrates disse: “enquanto o homem conservar a menor porção que seja da coisa chamada razão, será totalmente incompetente para produzir poesia”.

Enquanto isso, a velha ditadura da razão a tudo pretende analisar, e o ego, dedicado companheiro, apela à tirania em defesa de um confuso status quo.

No ponto crítico da cadeia dos acontecimentos, a razão e o ego do artista cedem espaço e, nessa oportunidade, o processo criativo entra em cena protagonizando uma nova dinâmica de eventos. A consciência , então, transcende preconceitos, dogmas e a consistência definidora das coisas.

Nos profundos domínios do inconsciente, conteúdos doravante bloqueados ou banidos encontram-se agora passivos do “desvelamento e desvendamento da verdade” como propõe Heidegger. 

Pensamentos diferenciados, ora tímidos ou desconexos, ora expressos numa imagem distorcida e nebulosa, são prontamente capturados. Entremeados pelas correntes intelecções, insights apagam-se precocemente se não forem iluminados pelo foco da percepção. Tudo flui numa rapidez desconcertante e não resiste a novas incursões mentais. Aos poucos o processo torna-se evidente, facilitando “um vir a ser do que nunca antes existiu” (Merleau-Ponty).

Uma dedicada concentração focaliza a luz difusa do flash mental, intensificando a sensação de presença do estético que há nas mensagens interiores. O insight preenche imperceptíveis vazios entre os espaços, sem jamais interromper o fluxo do pensamento. Da inusitada e imediata percepção do belo, manifestam-se claras e inimagináveis revelações de plena inspiração criativa.

Como um relâmpago divino, fiat lux, a sensorial musa ilumina o despertar da poética criatividade que funde o singular e o universal em palavras e formas.



Wasil Sacharuk