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Flores para os conflitos

Como viver a dois pode ser tão magnificamente complicado e interessante? Esse questionamento reina por aí desde que me conheço por gente. E nenhum vivente responde a contento. 



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Flores para os conflitos

Com freqüência sabemos de relações que se romperam, em escala maior, se comparadas às que se mantiveram. As influências externas aos relacionamentos são gigantes e, cada vez mais, restringem severamente os nossos espaços. E, impassíveis diante de tal ameaça, travamos batalhas desesperadas e intolerantes buscando a proteção que julgamos precisar. Os rompimentos são prováveis. E ainda, carentes do autoconhecimento, erguemos barreiras intransponíveis que impedem a expressão da natureza amorosa. Daí, expressamos as rotineiras preocupações e frustrações, e assim, para garantir a sobrevivência, somos mais individualistas. Não ofertamos, então, aquela dedicação que os amados merecem, e passamos a julga-los como pedras no caminho. 

É aceitável que na busca pelo autoconhecimento, umas doses e outras de individualismo são necessárias, porém, não justificam o simples e tolo ato de alimentar o ego às custas do sofrimento alheio. 

Precisamos aprender a ocupar sabiamente os espaços. Eis o revolucionário objetivo da vida a dois. Reciprocidade é fundamental e, numa certa altura, os dois estarão compondo uma união equilibrada que tende para a harmonia e não comporta disputas (you say yes, i say no!).

Contudo, os conflitos oriundos das perspectivas e expectativas individuais são inevitáveis. Não raro, o parceiro espelha aquilo que o autoconhecimento cobra. Somente no exercício do amor e da amizade que essa jornada íntima pode ser desencadeada de forma agradável e harmoniosa. Fortalecer os laços que unem, contrapõe o individualismo egoísta.

As explosões de razão, detonadas num campo vazio de sentimentos, condenam bons relacionamentos a conclusões indesejáveis. Assim, vamos tentar ser honestos o bastante para trilhar um caminho florido, descobrindo espaços inexplorados na intimidade, para seguir em frente... sem pisar nas flores.

(Sacharuk – Diário Popular Pelotas – 2001)