Carta à Imobiliária Incompetente

Carta à Imobiliária Incompetente         

Em virtude de nossos fiadores, do contrato de locação do imóvel sito à rua Lobo da Costa 169/1A, em Pelotas RS, terem sido perturbados em seu descanso, através de um contato telefônico advindo desta imobiliária, resolvemos acerca da necessidade dessa carta.
            O contato telefônico, acima mencionado, ocorrido no dia 19 de abril de 2005, alertava quanto a fatos que julgamos falsos e infundados, sobre os quais exigimos formalização. Tais fatos referem-se ao desrespeito ao horário de silêncio ou desobediência à lei da boa vizinhança.
            Quanto ao aludido, expressamos aqui nosso posicionamento no sentido de desconhecer a evidência de tais acusações, já que, em momento algum, fomos notificados pela segurança pública ou mesmo por intervenções de vizinhos quanto a quaisquer excessos de comportamento de nossa parte,  moradores do imóvel supracitado. Segundo afirmado por essa imobiliária, os excessos relacionam-se à execução de som, por meio de instrumentos musicais (teclado, guitarras, violinos, etc.) e festas freqüentes durante a semana.
            Declaramos que não possuímos nenhum dos instrumentos musicais referidos e também não proporcionamos festas, visto que as dimensões do imóvel locado não são propícias para tanto, sequer suportam mais do que duas pessoas que tendem a movimentar-se livremente. Portanto, seria impossível manter convidados e muito menos uma orquestra na residência. Assim, confessamos nosso imenso interesse em saber os motivos de tais denúncias, já que, professores que somos, poderíamos auxiliar o denunciante no desenvolvimento de seus processos culturais e educacionais. Solicitamos, dessa forma, a formalização das denúncias para que possamos tomar as medidas cabíveis.
            Quanto à ameaça de despejo, proferida por essa imobiliária, parece não estar fundamentada na legislação brasileira, ou mesmo em qualquer outro lugar do mundo, visto que as acusações são improcedentes e impertinentes. Os pagamentos das mensalidades ocorreram infalivelmente até o dia de suas datas de vencimento, expressando o cumprimento de nossa parte no referido contrato. Outrossim, pensamos que o papel dessa imobiliária deveria ser o de administrar a estrutura física do imóvel, que deixa imensamente a desejar e não corresponde aos valores absurdos fixados no contrato de locação. Um pretenso despejo poderia até mesmo ser a solução para a nossa decepção com o imóvel e com os serviços a ele pertinentes.
            Recebemos, em dezembro de 2004, uma notificação dessa imobiliária, ameaçando cobrança de multa por excessos no volume de som e outros ruídos. Primeiramente gostaríamos de saber o que querem dizer com “outros ruídos”. Também confessamos não tomar conhecimento do fato de ter locado um imóvel vinculado a um condomínio, já que não recebemos nenhuma cópia da convenção e não usufruímos os serviços de administração que são comuns a imóveis vinculados a condomínios. Portanto, solicitamos esclarecimentos acerca da legalidade de tal multa.
            Como essa imobiliária, desta feita, demonstrou interesse na nossa situação de inquilinos, aproveitamos o raro ensejo para solicitar providências quanto a infra-estrutura do imóvel e a nossa relação comercial:
a)    a fiação elétrica, em péssimo estado de conservação e qualidade duvidosa, está exposta à chuva desde o início do nosso contrato, provocando, quando chove, pequenas explosões. Em três oportunidades solicitamos o reparo. Na terceira, o eletricista de nome Danilo, enviado por essa imobiliária, fez uma avaliação das avarias e pensou ter consertado tudo com duas voltas de fita isolante, procedimento este que se revelou insatisfatório e contrário às normas da ABNT. A avaria continua sendo uma ameaça de incêndio ou algo parecido;
b)    já que mencionamos a possibilidade de incêndio, solicitamos também cópias dos recibos do seguro contra incêndio, que pagamos religiosamente e aos quais temos direito;
c)    solicitamos uma cópia válida do habite-se da residência, visto que, em certo momento, ao solicitarmos a intervenção da empresa de saneamento da cidade, não fomos atendidos sob o pretexto da inexistência do cadastro do imóvel junto ao SANEP;
d)    gostaríamos de saber o motivo pelo qual o fornecimento de água, desde o início desse contrato de locação, fica escasso das onze até as quatorze horas. Interpelamos a empresa de fornecimento de água e esta afirmou estar tudo certo, sem motivos aparentes para esse corte no fornecimento.  Concluímos que tal fato possa ser devido à pequena capacidade da caixa de água, que, de forma incompreensível, atende ao fornecimento de água a alguns imóveis da vizinhança;
e)    tentamos fazer uma limpeza na caixa de água, como deve ser periodicamente feito, e fomos impedidos por vizinhos, que afirmam ser este um problema da imobiliária. Se é verdade, por favor, procedam, pois a água já está quase tão suja quanto à área que é comum aos moradores vizinhos;
f)     a pintura nas paredes do imóvel está caindo, não sabemos se por baixa qualidade da tinta utilizada ou das próprias paredes. Certamente, ao término do contrato de locação, a imobiliária exigirá perfeição das paredes, o que é humanamente impossível. Estejam à vontade para verificar;
g)    mais de uma vez, solicitamos providências quanto ao esgoto aberto e escoamento de água suja pela área comum. O mau cheiro é insuportável e a proliferação de ratos e baratas é imensa. Precisamos urgentemente de um sistema de esgotos que funcione o mínimo possível;
h)   não encontramos o medidor do consumo de água do imóvel, e, dessa forma, não temos como verificar e controlar o nosso consumo. Solicitamos que esta imobiliária o encontre para nós e, também, a gentileza de nos enviar as cópias dos recibos de pagamento do fornecimento de água, desde o início do contrato de locação;
i)     desde a primeira semana do contrato, solicitamos, agora pela quarta vez, que solucionem o problema das goteiras do telhado do imóvel. Gostaríamos de ser atendidos, visto que é anormal pagar o aluguel de uma casa que não abriga da chuva.

No intuito de encontrar soluções para os problemas expressos por ambas as partes, pedimos a elegância do atendimento às questões acima mencionadas como uma forma de dirimir quaisquer diferenças de posicionamento e, também, como uma oportunidade para esta conceituada empresa tomar consciência do seu verdadeiro papel na administração dos bens e serviços que comercializa.
Quanto às acusações de desrespeito às leis da boa vizinhança, solicitamos, mais uma vez,  a formalização da queixa junto aos órgãos a quem realmente competem tais providências.

Sem mais,

O Inquilino Indignado


Wasil Sacharuk

Inspiraturas