Armadilhas do Ego



Armadilhas do ego

De longe eu reconheço passividade e passionalidade quando as vejo. Coisas tolas de homens tentando agir como tal. E encontro nesse mundo pessoas submissas à ação das causas exteriores e, constantemente, governadas por essas. Gente igual a mim.

O problema é que já no primeiro ano de vida somos vítimas do determinismo. Aqueles condicionamentos educacionais que nos são gentilmente ofertados formam, bem cedinho, o amálgama do sofrimento psíquico. Meu filho ajoelhe-se ao pé da cama e suplique ao papai do céu uma boa noite de sono e não esqueça de pedir que lhe permita ser feliz.

Como não bastasse, há, ainda, aquela sensação de abandono, separação, repressão emocional e uma comunicação familiar tão deficiente que confunde amor e ódio numa eterna contradição e faz o ego hesitar para encarar um processo doloroso de crescimento interior.

Os vínculos afetivos são marcados por uma áspera dependência – os vícios e as paixões – e se justificam nessa aflita carência de satisfação do vazio do ego, ensejando uma dinâmica existencial pouco capaz de subsistir, agir e pensar. 

Pensar que paixões e vícios não são exatamente bons e nem mesmo maus, já que são naturalmente oriundos de influências externas ao ser, parece que minimiza o problema. E viva o vício!

Romper este cárcere demanda uma libertação perseverante e gradativa das identificações do danado do ego. Entretanto, quando este percebe a ameaça do rompimento, invariavelmente aciona um complexo sistema de defesa munido de crítica, aversão, antipatia e ira, essas implacáveis armas da resistência. A queda desse sistema requer um pleno engajamento na trilha do autoconhecimento e da responsabilidade. Sim, isso mesmo, responsabilidade. Responderemos por nossas escolhas, porém, jamais deixaremos de escolher. .Cada equilibrado passo do caminho deve ter como norte algo bom e desinteressado. Esta é a garantia de uma existência livre e feliz.

Sacharuk

Inspiraturas