Dos Pampas ao Topo do Céu


Dos Pampas ao Topo do Céu

Eu que venho de longe
trago no alforge
um saco de pão e mel
a garrafa de cana
o livrinho de papel
e uns quarenta gramas

Percorro vielas estranhas
dos pampas ao topo do céu
onde formigas sucumbem
aos saltos dos sapatos
quando pisam as nuvens

Vivo das vidas que vivem
e não assinam contratos
somente se servem
da tolice dos atos
dos ateus e incréus
entre crentes sacanas

Percorro vielas estranhas
dos pampas ao topo do céu
onde a ideia se nutre
da crueza dos fatos
derruba engana derrama

hoje comprei um pijama
que tem estampado
o instigante retrato
do chapolim colorado
e seu letal movimento
friamente calculado

Percorro vielas estranhas
dos pampas ao topo do céu
na efeméride dos tempos
e acompanho os ventos
enquanto ventam
baseados

wasil sacharuk