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Poema das Almas Inquietas



Poema das Almas Inquietas

Das frases suspensas nas fases de estio
vazio suspeito dobrando viéses
das vezes que verso em rima de frio
verbo por um fio remete a reveses

Das vozes sedentas das dores de cio
fastio que sustenta solvendo osmoses
das doses de inverno em clima sombrio
o inferno bravio reclama os algozes

Das vezes que o vento ventou sobre as folhas
daquelas escolhas tidas como certas
das reses cobertas, envoltas em bolhas
perto se fez longe  das portas abertas

Das bases que o tempo calcou sobre as formas
das normas cuspidas julgadas corretas
das fezes fedidas banhadas de aromas
forjou-se o poema das almas inquietas.

Lena Ferreira & Wasil Sacharuk


Ao amigo do lado de lá

"Véio China" - arte de Lanoia


Ao amigo do lado de lá

Morro tanto quanto imenso
se de mim morre um amigo
morro quando perco dente
morro tanto quando ausente

tu desligas quando eu ligo
sei que sentes quando penso
eu no chão e tu suspenso
paralisas quando eu sigo

nossas vidas insurgentes
seguem rumos diferentes
sei dos ares que respiro
quando busco teu consenso

tu és um no documento
e és outro no convívio
tuas vidas são latentes
se fizeram tão presentes

és da paz enquanto eu brigo
fazes ser enquanto eu tento
tu és pó eu sou cimento
mas eu fui feliz contigo.

Wasil Sacharuk

Deletério



Deletério

tenho ratos 
no quarto de hóspedes
vieram salvos nos caibros
na última enchente

vieram bichos
morar com as gentes
e o lixo 
entra indolente
pela porta da frente.

Wasil Sacharuk

Bruxuleante

Bruxuleante

O dia saltou para a noite
num pulo de gato
sorrateiro e peralta
interesseiro e ingrato

Não sei porque salta
mas que salta
é fato!

Quem vê gato preto
sai em desabalada corrida
a despistar o passo lento
que amaldiçoa essa sorte

Antes que morra 
o vivente
de morte morrida
que não seja indiferente
e corra da morte
e não morra
durante a corrida

Bater as botas
é como perder
um pacote de tolas quimeras
o pior é não ter bolas
e nem capacidade
para levar vida dura

E ter de acender tantas velas
No meio da noite escura.

Wasil Sacharuk

Dos Pampas ao Topo do Céu


Dos Pampas ao Topo do Céu

Eu que venho de longe
trago no alforge
um saco de pão e mel
a garrafa de cana
o livrinho de papel
e uns quarenta gramas

Percorro vielas estranhas
dos pampas ao topo do céu
onde formigas sucumbem
aos saltos dos sapatos
quando pisam as nuvens

Vivo das vidas que vivem
e não assinam contratos
somente se servem
da tolice dos atos
dos ateus e incréus
entre crentes sacanas

Percorro vielas estranhas
dos pampas ao topo do céu
onde a ideia se nutre
da crueza dos fatos
derruba engana derrama

hoje comprei um pijama
que tem estampado
o instigante retrato
do chapolim colorado
e seu letal movimento
friamente calculado

Percorro vielas estranhas
dos pampas ao topo do céu
na efeméride dos tempos
e acompanho os ventos
enquanto ventam
baseados

wasil sacharuk