Desconstrução


Desconstrução

Andei retrucando momentos
revolvendo certezas mortas
andei com saudade do frio
e dos crepúsculos sombrios

Andei revisitando as rotas
remoendo incertos lamentos
andei à procura dos ventos
zumbido frio que me corta

Andei perturbado e senil
resistindo ao fluxo do rio
andei reforçando a porta
com tijolos, areia e cimento

Andei contraordem do tempo
revivendo lembranças remotas
andei com o cérebro a mil
cruzando conversas sem fio

Andei revisando as formas
reescrevendo os meus inventos
andei a testar os argumentos
no rigor científico das normas.

Wasil Sacharuk

A quem não me sabe e entende

A quem não me sabe ou entende

Eu não construo minha paz
jogando flores nos túmulos
desses anônimos inocentes
mortos em passeios escuros

Não reverencio os espectros
cujo mote é obscuro
apenas finados viventes
ou qualquer coisa diferente
de ar circunspecto

Não cultivo o dialeto
que pronuncia minha gente
com argumentos confusos
nenhum viés eloquente

Não levo fé nos presidentes
seus vassalos e abusos
e nesse povo repleto
de burrice condescendente

Não me acho mais esperto
além do que é aparente
eu tenho traços escusos
mas meus motivos são retos

wasil sacharuk

O Riso da Feiticeira

O Riso da Feiticeira

Ela queria texturas
impressas no mundo 
das suas ideias
de luar defletido
multicor na areia
em poema inspirado
de Márcia e Andréa

quis saber o motivo
da vida ser bela
e ser assim tão feia
de olhar corrosivo
mas alegre e arteira
quis saber o que era
e leu a coisa inteira

conheceu as maneiras
das bruxas e fadas
as mocinhas e as malvadas
agora ri de faceira
pois não sabia de nada.

Wasil Sacharuk

Inspiraturas