Seara

Espere-me

Espere-me

Sei que me mostras
o quanto me amas
apesar de tudo

e eu fico mudo
se perdes o tempo
embalando as noites

eu nunca prometo
fazer difente
do que fiz antes
de detonar o mundo

mas eu perdi o meu senso
numa curva qualquer
da esperança

eu coloquei
a bandeira sobre a porta
ela diz: amor
e diz: espere-me

eu sei que causas
tanta destruição
sempre que me vens

e não há nada
que faça mudar
a ideia maluca
que sempre me consome

e eu nunca prometo
fazer difente
do que fiz antes
de detonar o mundo

pois eu perdi o meu senso
numa curva qualquer
da esperança

eu coloquei
a bandeira sobre a porta
ela diz: amor
e diz: espere-me

o quanto me queres
em meio às noites
enquanto me feres
com teus açoites
nós somos mares
de marés confusas
sou dos teus males
de mim és musa

se eu perdi o meu senso
numa curva qualquer
da esperança

eu coloquei
a bandeira sobre a porta
ela diz: amor
e diz: espere-me.

Wasil Sacharuk

fotografia Ana Clara Iunes Sacharuk


Tu, ave
fá sol 
na primavera
se bem sabes
esperas

Tu, nota
faminta
em bemóis
na primavera
fás sóis
sem entraves

Tu, partitura
fac simile
das urdiduras
em claves
de sons

Tu 
imitas o tom
das criaturas.

Wasil Sacharuk

Às vezes sou o quanto tu és


Às vezes sou o quanto tu és

às vezes sorrio
às vezes sou rio
às vezes sou nó dos ventos do sul

sou blue quando azul
sou eu mais de mil
sou a vertente das tuas belezas

o quanto a ti são certezas
o quanto a mim são bobagens
o quanto sou epicentro das tuas viagens

tu és meu tempo e querência
tu és momento e essência
tu és o cais da minhas ancoragens.

Wasil Sacharuk

Vejo luz de estrela quedar em cascata


Vejo luz de estrela quedar em cascata

Vejo luz de estrela
quedar em cascata
cortar chão em lascas
de fagulhas acesas

Há neons sobre as casas
e por todos os cantos
luzindo caras de santo
e consciências escassas

Vejo semblantes tacanhos
desfilando na praça
entre gêneros e raças
quantidade e tamanho

Vejo luz de estrela
quedar em cascata
que sensata
estende uma mão
e me ergue do chão.

Wasil Sacharuk

Aos ventos de setembro

Aos ventos de setembro

Alguns setembros
me brotam assim

tão lentos

a organizar o firmamento
em belezas sem fim
livres até os confins
dos tempos

Nos livres espaços
eu vejo uma dança
dos eus simulacros

ao sonoro compasso
minuano dos ventos.

Wasil Sacharuk