patrocinador

Da masmorra onde fiz meu abrigo



Da masmorra onde fiz meu abrigo

Vejo cores que respiro
em teu seio deusa fêmea
onde mundos se desfazem
nos versos mortos
que em mim jazem

penso nos dias
os idos e os que vêm
ao sabor de tempos livres
os quais não domino
os quais me mantêm

vejo flores na janela
não são tuas
não são delas
são histórias
de noites de desabrigo
noites comigo
noites de ninguém

somente espero
eu posso querer
e posso crer
voar contigo
como te convém

ainda quero ser
o melhor para ti
o que tenho a pensar
tal pai dos filhos
que queremos criar

quero mais que poema
quero o momento
um deus qualquer
o mesmo que possas querer

ainda que seja tarde
tarde de ser
o que queres que eu seja
mesmo que eu morra
enquanto eu voo contigo
no interior da masmorra
donde fiz meu abrigo

ando só pelas ruas
com tudo o cuidado
sem ser igual
sequer diferente
somente importante
nesse mundo criado
pelas tuas certezas

enquanto a vida morre
relegada às profundezas
dessa coisa que dói
a inundar o meu céu
com a nossa tristeza.

Wasil Sacharuk

A tremeluzência das velas


A tremeluzência das velas

Conheço o corte 
das espadas
das batalhas de línguas 
nas janelas
vejo cores ocultas
sob as telas
navego nas rimas
enquanto nadas

Conheço os atalhos 
das estradas
sobrevivo aos desvios
e mazelas
sou heroico nas lutas
e nas guerras
meu inferno faz frio
enquanto queimas

Conheço o intento 
das palavras
sei andar nas tabelas
da retórica
leio a chama das velas
diabólicas
jogo flores nas covas
enquanto cavas.

Wasil Sacharuk