Seara

Cilada


Cilada

Noite de lua de fome e demônios
penumbra de corte de morte mistério
de rasgo de grito de fuga de sonhos
memórias de dias os novos os velhos

Dia de sombra de insone agonia
de sóis e de nós sem nós e ninguém
vapores baratos torpor vilania
estórias História de mais e além

De buscas e buscas na senda do dia
do pai e do filho do santo e amém
de fome de amor de prosa e poesia
trabalho suado não vale um vintém

De encontros, encontro uns dez encontros
de perdas e danos estou mui calejada
das lutas, batalhas, enfrento; confrontos
da vida - que vida? - não levo mais nada

Eu caio na vida desses seres tontos
para acreditar que inda sou tão amada
a cada rodada eu perco mais pontos
e no fim do jogo já estou derrotada.

Lena Ferreira & Wasil Sacharuk

Escorpião - versos autobiográficos

"Talvez tenha sido por volta 2008 a primeira vez que o li, aliás, o vi comentando algum poeta numa comunidade de Orkut chamada Bar do Escritor.

Lembro que olhei atentamente para aquele avatar de cabelos longos, olhar severo e o conjunto me levou a um desses guerrilheiros que se perderam nas selvas da América do Sul à década de 70, afinal sempre fora desconfiados com os cabeludos apesar de ter sido um nos tempos do Led Zeppelin.

Olhei novamente para a pequena foto que carregava abaixo o nome de Wasil Sacharuk. e me pareceu evidente que ali o intelecto de um revolucionário se mantinha oculto sob a vastidão dos cabelos castanhos.

Porém Wasil não era um revolucionário das armas assim como os uruguaios do Tupamaros. Não, na guerrilha de Sacharuk não se deflagravam tiros e nem se era picado por cobras ou saciado da sede por riachos que riscavam as florestas, pois os projéteis da revolução de Wasil nada mais são que as linhas da poesia.

Recordo ainda que nos primeiros textos ali postados pude perceber-lhe o traço e a verve do inspirado, uma escrita pujante e contundente grafando prosas e poesias por vezes no esmero do sotaque sulista do seu Rio Grande do Sul.

Sim, não seria menos verdadeiro confessar que em algumas oportunidades procurei na internet a tradução paras alguns termos gauchescos para poder compreender e a assimilar a grandeza das suas construções.

Lembro também que Wasil foi o primeiro artista a quem me interessou o trabalho com a produção de vídeo-poema. Recordo também que o primeiro seu que vi foi (É a verve) e o seu trabalho me deixou maluco tal o esmero que fora produzido, pois além das filmagens e edições ficava por sua conta a declamação, efeitos sonoros e a trilha musical. E fiquei tão impressionado que pedi para ele que fizesse um vídeo para um poema meu, diga-se, generosamente ele o fez e me presenteou, e é algo que até hoje me encanta e honra tal a perfeição do aspecto visual, narrativo e a trilha sonora composta por ele.

Enfim, não há como falar de Wasil Sacharuk sem traduzi-lo em arte, afinal ele é uma das prazerosas manifestações dela.

Pois, imenso é meu orgulho ao ser companheiro de letras deste magnífico poeta e prosador.

Parabéns Wasil Sacharuk!"

Veio china

Ter nascido sob o sol em escorpião não foi dádiva
sequer foi castigo
Desde muito cedo aprendi a gostar das minhas singularidades
e treinei usá-las em meu favor
E sou abertamente identificado com elas.
Dizem que escorpianos são determinados... pura mentira!
São teimosos.
No entanto, adoro cebolas, preferencialmente as cruas.
O que mais encanta nessa condição astral é a fatalidade,
da vida e do veneno.
Para um bom escorpiano,
a vida é um veneno.



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Número de páginas: 112
Edição: 1(2013)
Formato: A5 148x210
Coloração: Preto e branco
Acabamento: Brochura c/ orelha
Tipo de papel: Offset 75g

Whisky na sala

Whisky na sala

Tu que assopras assim
bafo frio em minhas barbas
e falas aquilo que exalas

Tu fazes rodamoinhos
nos meus pensamentos
nas minhas rimas de vento
e não deixas o meu poema
morrer sozinho
em lamentos

Tu que assopras em mim
teu verso em rebento
me esperas com whisky na sala

Escreveremos um movimento
dó sustenido em uníssono
que não cala
renitente como sinos
e provocante
como o discernimento

A ti eu queria
sem constrangimento
deixar uns versos pequeninos
que sirvam de monumento
da minha redenção à poesia
no nosso universo perto e distante.

Wasil Sacharuk

Intertexto (Lua Nova e Poesia)

"O cupido me manda flechas erradas
sempre
Triste sina a minha"

Suely Andrade


Intertexto (Lua Nova e Poesia)

O cupido sempre erras as flechadas
sempre
Então fico sozinha

Oh cupido
que trazes para mim?
Nada

e nada
sempre
o mesmo verso
na mesma linha

Ah meu cupido
teus erros
me fazem desenganada
assustada
com o fato
de morrer sozinha

lanças pontas entortadas
que se perdem errantes
com suas mochilas
na margem da estrada

cupido, eu choro misérias
e não peço mais nada
me sinto um trapo
sem rima sem linha
sem musa ou valia

que faças em mim um amor
a brotar da tua seta encantada
quando raiar novo dia

ou permanecemos nós três
eu, tu e o amor
sem mais ninguém nem mais nada
a habitar Lua Nova e poesia.

Wasil Sacharuk

Ana e os pombos





Ana e os pombos

Trago versos 
em sementes de paz
imaculadas
se nao abarcar meus avessos
eu sou nada
além da poesia
que no curso do dia
seguiu minhas pegadas

Das questoes lanço sementes
aos pombos da paz e da pedra
vislumbro imagens da sorte
no vácuo entre vidas e mortes

Procuro caminhos à senda
detrás dos traços aparentes
alma que clama faminta e urgente
por um universo que a entenda

quero saber os conceitos
conhecer os normais
e as fadas
tenho braços abertos
mas nao sou alada
apenas sou poesia
que no curso do dia
seguiu minhas pegadas

o percurso das vidas é o mote
que me faz viva e forte
na fonte dos dias de contendas
conflitos de espécies diferentes

em cada aurora sigo em frente
já aprendi que nem sempre se acerta
que no aço afiado reside um corte
e nem todo louco é o Dom Quixote

estendo laços convexos
dou meu pao aos animais
nativos da minha calçada
de rumos incertos
e alma libertada
a colorir poesia
que no curso do dia
seguiu minhas pegadas

Quero capturar o signo das lendas
assim entender os desígnios da gente
encontrar as razoes do que se sente
imprimir um sorriso na alma serena

para me recriar poesia
que no curso do dia
seguiu minhas pegadas.

Wasil Sacharuk

Crops Celestiais VIII

Crops Celestiais VIII

Chico com cara cheia com confusões criadas com cardeais. Conversou com correligionários criando comissão congregando cardeais católicos convencionando conversar constituindo critérios católicos, como código conduta. Canovaticínio comandou confeccionar caderno chamado "Como Compete Cardeais Comerem Criancinhas Com Consciência Cristã".

Chico comandou:

Cada cardeal católico cujo cu contenha coceira, coçará cu com colega cardeal cujo cacete contenha coceira. Continuem colocando cabeça centro coxas colegas cardeais como condição conseguir cessar coceira. Chupeta cessará compulsão comer crianças. 
Conquanto confusão chame concentração continental, cardeal comerá cardeal. Canovaticínio contribuirá com camisinhas, com cervejas, com consolos.  Contudo, compete cardeais cessaram comilança com criancinhas. Canovaticínio coibirá comercialização com chocolates.
Compete cada cardeal comer chips consagrado como corpo cristo como condição concluir confissão."

Wasil Sacharuk