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Errante

Errante

Vi o amor sereno
gravar versos
nas tábuas d'alma

Vi o dia de calma
desconheci as alturas
e as quedas
entre as estrelas e o piso
impensados movimentos
invariavelmente
imprecisos

Vi a força do vento
refrescar o sorriso
de dentes de pedra
e de corte
diamante
que rompeu horizontes
das fronteiras
entre vida e morte
do céu e da terra

Vi o nada que espera
além do norte
e doutras esferas
onde habitam
extintos mamutes
urubus e elefantes

Vi teus olhos distantes
a esconder vagalumes
que apagam
e acendem
luzes incertas
brilhando bem fortes
nos meus versos

Vi os sonhos dispersos
no meu planeta conciso
tal marés violentas
á deriva da sorte
navegando errantes
bem distantes
do que chamei paraíso.

Wasil Sacharuk