Ao Trancarrua das Almas



Ao Trancarrua das Almas

Quero entender os agouros
dialética das minhas dores
e a solidão dessas luas
meu senhor trancarruas
hospedeiro das almas

Quero poisar outras cores
na noite de negro e ouro
a espera do dia vindouro
fronteira da vida e da morte
acaso sejam contrárias

Quero uma capa igual a tua
senhor trancarrua das almas
sobre meu túmulo sem flores
a esconder meus tesouros
medalhas das minhas batalhas

Quero um evento simplório
evite outro circo dos horrores
a mentira que se insinua
a verdade que se diz crua
apenas a pena que valha

Quero cerrar os meus olhos
morrer atento aos rumores
no berço dos meus esplendores
guardados junto aos entulhos
e viver das migalhas.

Wasil Sacharuk