patrocinador

Saber-se entre versos


Saber-se entre versos

Caso queira saber-se à beira dos meus dias
faça de conta que as horas são fugitivas
dos olhares da morte sorrateira...
à beira da vida é um bom esconderijo
para seus delírios de poesia.

Solo donde arrebentam cadências estelares
que escorrem ligeiras pelas galerias
a repercutir entre outras vidas
moinhos de signos recriam os desejos
de paixões apuradas em refinaria.

Mas, se não procura saber-se entre meus versos,
tente ouvir o grito do meio...
O esteio da metáfora acesa é a mesa
posta sobre o dia inteiro.

Desvendará os eventos sobre a esteira
das tênues realidades e seus avessos
em vocábulos certeiros mas sem certezas
que instigam a saber-se em seus retrocessos.

Juleni Andrade & Wasil Sacharuk

Sensações passageiras



Sensações passageiras

Os olhos são amarelos
da cor do cabelo
mudando em mechas e sentimentos

Chuva chega sorrateira
molha cola o colo
percorre além dos seios

Já os olhos
deságuam memórias
de nuas mãos entrelaçadas

cúmplices no caos e na glória.

Salpicam bolhas nas janelas
que recobram histórias
habitantes do espelho

Aquelas sensações passageiras
retrados partidos ao meio
pela sina e suas tramoias
e a canção desafinada

que diz dos que foram embora.

Bia Cunha e Wasil Sacharuk

Paparança

Paparança

O Chico veio voante
que nem ave divina
traçando um risco no céu

e sob o ridículo chapéu
por debaixo da batina
ele não é diferente

igual a todo vivente
papagaia
paparranga
papamor
papagrana
papapau
papacu.

Wasil Sacharuk

O que não se mede



O que não se mede

Ouça...

Quero
Um
Encanto!

Nosso
Amor
Onipresente

Sem
Entretantos

Meu
Eu
Docemente
Entregue.

wasil sacharuk

Foi deus se...

Foi deus se...

Sentenciaste-me poerege
escriba dos contracredos
meus versos não ré ligam fé
sequer sentem dó
se são da filo sol fia
e das porfias
renegam argujumentos ortodoxos
e apelos sem tino mentais

a ti
com tuas doutrinas
dou-te rimas
que inventam verdades
universais
a quem não crê
se foi deus se...

Wasil Sacharuk