Seara

Das marés escravas da lua



Das marés escravas da lua

Cheguei nascituro 
no dia presente
portador de incertezas 
demais eloquentes
e umbigo partido 
com livre tesoura
vim no tubo de óleo 
que hidrata assaduras

Cheguei bolhadágua 
que pinga das fontes
furtacores dos prismas 
irreais diamantes
dono rico do brilho 
calhorda das ruas
vim pela delicadeza 
indiscreta da lua

Cheguei no flash 
de insight errante
angelical urubu 
ou delicado elefante
diabo resplandescente 
da aura mais pura
vim na estrela cadente 
na noite escura

Cheguei atrasado 
no próximo instante
na primeira lâmina 
da cruel cartomante
escorpião que envenena 
com sua picadura
vim da dor que me mata 
e da dor que me cura.

Wasil Sacharuk