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Almas Insones


Almas Insones

Bruxuleantes
almas desumanas
sobre as matas

entoam solistas
sete flautas
e sete trompetes
estridentes linguistas
virtuosos e imponentes
num confuso dialeto

Bruxuleantes
almas insones
de fantasmas

rastejam sinistras
pelas valas
habitam os canaletes
as pistas
entre as gentes
vestidas de preto

dançam as virgens
sob o céu negro
luar resplandescente
em movimentos discretos
sorridentes
e encantadas

sob as paisagens
um ponto cego
a aridez decadente
de um gueto
deprimente
e sem entrada

Bruxuleantes
arcadas da fome
que engasga

das auras submissas
que a noite exala
em seus orientes
abscissas
passam rentes
pelos nós dos catetos

nas engrenagens
dos vícios e apegos
desejos urgentes
e os segredos
caem insolentes
na calada.

Wasil Sacharuk