patrocinador

Hipotenusa


Hipotenusa

O traço da mi'a vida hipotenusa
nas rimas mal inclusas nos sonetos
que passa por quartetos dor difusa
na rota que recusa o ângulo reto

No vértice aberto está intrusa
a escrita que desusa o obsoleto
quadrado dos catetos soma escusa
a linha que acusa o longe e o perto

Nem sempre que aperto parafusa
sequer encontro musa nos tercetos
nem sempre que eu tento sou esperto

Nos versos encobertos está confusa
a letra inconclusa pelos ventos
traduz seu comprimento em dialeto.

Wasil Sacharuk

Vasto


Vasto

Habita em mim

a raiva
chama acesa
ardente
exata
marcada 
afinada

ao tom incerto
no toque inconstante
espalhada na trilha

num rompante

Quando a raiva
insinua
e adentra a noite
arranha
a pele nua
como açoite

meu grito aberto
tão deselegante
risada que humilha...

Habita em mim

a calma
abstrata
emoldurada
largada
frouxa
figurada

ao sabor do vento
no beijo amante
encantado na parceria

fulgurante

Quando a calma
se torna
uma busca na vida
a alma
retorna
para fechar ferida

um doce momento
não está distante
ocultado na poesia.

Dhenova & Wasil Sacharuk

Fantasma Guru

Fantasma Guru

criaste um fantasma
ao qual chamaste guru
num formato de miasma
diversos matizes de blue
um degradê de contrários
um norte vestido de sul

assombração dos cenários
dos bordeis
imaginários
das vãs poesias
ousadias
e tantos balacubacos

mas no mundo dos fracos
viste planar simulacros
onde vingou a profecia
de decretar baixaria
no vaivem dos hormônios
de dar indulto aos demônios
aos jogos e bruxarias

criaste fantasma da insônia
das tiranas
balzaquianas
perfumadas de alfazemas
e odores
de todas as cores
além do piercing na vagina

entre os estratagemas
e o show de horrores
prevaleceu a sina
do holográfico
fantasma guru
e seus dons mágicos
que resultaram trágicos
e decepcionantes
tal tomar anilina
e pensar em refrigerante

criaste o fantasma
em traje de gala
ao qual chamaste guru
que cala
e não fala
não pensa
não presta
uma besta
pretensa
um norte vestido de sul

assombração dos cenários
dos bordeis
imaginários
das vãs poesias
ousadias
e tantos balacubacos

wasil sacharuk

Almas Insones


Almas Insones

Bruxuleantes
almas desumanas
sobre as matas

entoam solistas
sete flautas
e sete trompetes
estridentes linguistas
virtuosos e imponentes
num confuso dialeto

Bruxuleantes
almas insones
de fantasmas

rastejam sinistras
pelas valas
habitam os canaletes
as pistas
entre as gentes
vestidas de preto

dançam as virgens
sob o céu negro
luar resplandescente
em movimentos discretos
sorridentes
e encantadas

sob as paisagens
um ponto cego
a aridez decadente
de um gueto
deprimente
e sem entrada

Bruxuleantes
arcadas da fome
que engasga

das auras submissas
que a noite exala
em seus orientes
abscissas
passam rentes
pelos nós dos catetos

nas engrenagens
dos vícios e apegos
desejos urgentes
e os segredos
caem insolentes
na calada.

Wasil Sacharuk

Oxigênio


Oxigênio

Já te aprendi tanto
que a mim não enganas mais

desvendei rumos e recantos
fui o motivo dos teus desencantos
agora sei o que esconde os teus ais

e não venhas quebrar minha paz
com tuas mentiras insanas
faniquitos e artimanhas
dissimulações no teu pranto

já não me causas espanto
afinal, sempre ganhas
com tuas manobras tacanhas
e esse olhar sacrossanto

agora não há mais jeito
nem projetos ou campanhas
que abafe o som do meu canto

pois saibas que tenho o direito
de me libertar do quebranto
e tragar o novo ar das montanhas.

Wasil Sacharuk

Pernas


Pernas

Amor, recebo teu presente
e como sempre
eu vou às estrelas

Te vejo reluzente
nas curvas belas
arcoíris resplandescente
em pastéis e cianetos
de discretas nuanças
vermelhas 
e amarelas

As tatuadas sentenças
na tua pele libélula
inspiram sonetos
milongas, vaneiras 
e tarantelas
doces matizes na tela
a florescer nos tercetos

Amor, eu fico contente
bem ali na minha frente
as tuas poses singelas
a coroar meu momento

Um arrepio violento
entorta as tabelas
tal golpe de vento
e me faz sorridente
na plenitude inocente
prazeres à luz de velas

E revivo as novelas
que semeiam promessas
nessas tardes quentes
com chuva na nossa janela
a alimentar esperanças
convites a outras danças

Amor, eu esqueço as mazelas
e sigo leve tal criança
se encontro o oriente
no doce rio da nascente
que se forma entre
tuas pernas.

Wasil Sacharuk

D'algemas quebradas


D'algemas quebradas 

Vou para o futuro sem olhar para trás
sem ouvir o eco das minhas palavras
esquecer dos caminhos que não cruzo mais
do som entristecido das antigas falas
aquelas que não se calam

Vou a outra poesia e ser novo homem
afinar a música em outras escalas
novos condimentos contra essa fome
tatear a escuridão dessas vias tortas
e certezas mortas

d'algemas quebradas erguer os punhos
d'algemas quebradas vou romper o mundo

Quero dormir morrendo em branco lençol
inverter os rumos que me levam ao sul
encontrar a faceta mais fria do sol
da minha sanidade o lado alucinado
quero o canto libertado

d'algemas quebradas erguer os punhos
d'algemas quebradas vou romper o mundo.

Wasil Sacharuk

Auto-ajuda que funciona



Auto-ajuda que funciona:


"Se viajar de carro, ponha a cabeça para fora da janela e respire profundamente o ar refrescante que deus lhe ofertou. Se um caminhão passar e arrancar sua cabeça, não se preocupe, você irá para o céu!"

Wasil Sacharuk