Cilada

Cilada

Noite de lua de fome e demônios
penumbra de corte de morte mistério
de rasgo de grito de fuga de sonhos
memórias de dias os novos os velhos

Dia de sombra de insone agonia
de sóis e de nós sem nós e ninguém
vapores baratos torpor vilania
estórias História de mais e além

De buscas e buscas na senda do dia
do pai e do filho do santo e amém
de fome de amor de prosa e poesia
trabalho suado não vale um vintém

De encontros, encontro uns dez encontros
de perdas e danos estou mui calejada
das lutas, batalhas, enfrento; confrontos
da vida - que vida? - não levo mais nada

Eu caio na vida desses seres tontos
para acreditar que inda sou tão amada
a cada rodada eu perco mais pontos
e no fim do jogo já estou derrotada.

Lena Ferreira & Wasil Sacharuk

Escorpião - versos autobiográficos

"Talvez tenha sido por volta 2008 a primeira vez que o li, aliás, o vi comentando algum poeta numa comunidade de Orkut chamada Bar do Escritor.

Lembro que olhei atentamente para aquele avatar de cabelos longos, olhar severo e o conjunto me levou a um desses guerrilheiros que se perderam nas selvas da América do Sul à década de 70, afinal sempre fora desconfiados com os cabeludos apesar de ter sido um nos tempos do Led Zeppelin.

Olhei novamente para a pequena foto que carregava abaixo o nome de Wasil Sacharuk. e me pareceu evidente que ali o intelecto de um revolucionário se mantinha oculto sob a vastidão dos cabelos castanhos.

Porém Wasil não era um revolucionário das armas assim como os uruguaios do Tupamaros. Não, na guerrilha de Sacharuk não se deflagravam tiros e nem se era picado por cobras ou saciado da sede por riachos que riscavam as florestas, pois os projéteis da revolução de Wasil nada mais são que as linhas da poesia.

Recordo ainda que nos primeiros textos ali postados pude perceber-lhe o traço e a verve do inspirado, uma escrita pujante e contundente grafando prosas e poesias por vezes no esmero do sotaque sulista do seu Rio Grande do Sul.

Sim, não seria menos verdadeiro confessar que em algumas oportunidades procurei na internet a tradução paras alguns termos gauchescos para poder compreender e a assimilar a grandeza das suas construções.

Lembro também que Wasil foi o primeiro artista a quem me interessou o trabalho com a produção de vídeo-poema. Recordo também que o primeiro seu que vi foi (É a verve) e o seu trabalho me deixou maluco tal o esmero que fora produzido, pois além das filmagens e edições ficava por sua conta a declamação, efeitos sonoros e a trilha musical. E fiquei tão impressionado que pedi para ele que fizesse um vídeo para um poema meu, diga-se, generosamente ele o fez e me presenteou, e é algo que até hoje me encanta e honra tal a perfeição do aspecto visual, narrativo e a trilha sonora composta por ele.

Enfim, não há como falar de Wasil Sacharuk sem traduzi-lo em arte, afinal ele é uma das prazerosas manifestações dela.

Pois, imenso é meu orgulho ao ser companheiro de letras deste magnífico poeta e prosador.

Parabéns Wasil Sacharuk!"

Veio china

Ter nascido sob o sol em escorpião não foi dádiva
sequer foi castigo
Desde muito cedo aprendi a gostar das minhas singularidades
e treinei usá-las em meu favor
E sou abertamente identificado com elas.
Dizem que escorpianos são determinados... pura mentira!
São teimosos.
No entanto, adoro cebolas, preferencialmente as cruas.
O que mais encanta nessa condição astral é a fatalidade,
da vida e do veneno.
Para um bom escorpiano,
a vida é um veneno.



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Cover_front_perspective
Número de páginas: 112
Edição: 1(2013)
Formato: A5 148x210
Coloração: Preto e branco
Acabamento: Brochura c/ orelha
Tipo de papel: Offset 75g

Whisky na sala

Whisky na sala

Tu que assopras assim
bafo frio em minhas barbas
e falas aquilo que exalas

Tu fazes rodamoinhos
nos meus pensamentos
nas minhas rimas de vento
e não deixas o meu poema
morrer sozinho
em lamentos

Tu que assopras em mim
teu verso em rebento
me esperas com whisky na sala

Escreveremos um movimento
dó sustenido em uníssono
que não cala
renitente como sinos
e provocante
como o discernimento

A ti eu queria
sem constrangimento
deixar uns versos pequeninos
que sirvam de monumento
da minha redenção à poesia
no nosso universo perto e distante.

Wasil Sacharuk

Intertexto (Lua Nova e Poesia)

"O cupido me manda flechas erradas
sempre
Triste sina a minha"

Suely Andrade


Intertexto (Lua Nova e Poesia)

O cupido sempre erras as flechadas
sempre
Então fico sozinha

Oh cupido
que trazes para mim?
Nada

e nada
sempre
o mesmo verso
na mesma linha

Ah meu cupido
teus erros
me fazem desenganada
assustada
com o fato
de morrer sozinha

lanças pontas entortadas
que se perdem errantes
com suas mochilas
na margem da estrada

cupido, eu choro misérias
e não peço mais nada
me sinto um trapo
sem rima sem linha
sem musa ou valia

que faças em mim um amor
a brotar da tua seta encantada
quando raiar novo dia

ou permanecemos nós três
eu, tu e o amor
sem mais ninguém nem mais nada
a habitar Lua Nova e poesia.

Wasil Sacharuk

Ana e os pombos





Ana e os pombos

Trago versos
em sementes de paz
imaculadas
se nao abarcar meus avessos
eu sou nada
além da poesia
que no curso do dia
seguiu minhas pegadas

das questoes lanço sementes
aos pombos da paz e da pedra
vislumbro imagens da sorte
no vácuo entre vidas e mortes

procuro caminhos à senda
detrás dos traços aparentes
alma que clama faminta e urgente
por um universo que a entenda

quero saber os conceitos
conhecer os normais
e as fadas
tenho braços abertos
mas nao sou alada
apenas sou poesia
que no curso do dia
seguiu minhas pegadas

o percurso das vidas é o mote
que me faz viva e forte
na fonte dos dias de contendas
conflitos de espécies diferentes

em cada aurora sigo em frente
já aprendi que nem sempre se acerta
que no aço afiado reside um corte
e nem todo louco é o Dom Quixote

estendo laços convexos
dou meu pao aos animais
nativos da minha calçada
de rumos incertos
e alma libertada
a colorir poesia
que no curso do dia
seguiu minhas pegadas

quero capturar o signo das lendas
assim entender os desígnios da gente
encontrar as razoes do que se sente
imprimir um sorriso na alma serena

para me recriar poesia
que no curso do dia
seguiu minhas pegadas

wasil sacharuk


Crops Celestiais VIII

Crops Celestiais VIII

Chico com cara cheia com confusões criadas com cardeais. Conversou com correligionários criando comissão congregando cardeais católicos convencionando conversar constituindo critérios católicos, como código conduta. Canovaticínio comandou confeccionar caderno chamado "Como Compete Cardeais Comerem Criancinhas Com Consciência Cristã".

Chico comandou:

Cada cardeal católico cujo cu contenha coceira, coçará cu com colega cardeal cujo cacete contenha coceira. Continuem colocando cabeça centro coxas colegas cardeais como condição conseguir cessar coceira. Chupeta cessará compulsão comer crianças. 
Conquanto confusão chame concentração continental, cardeal comerá cardeal. Canovaticínio contribuirá com camisinhas, com cervejas, com consolos.  Contudo, compete cardeais cessaram comilança com criancinhas. Canovaticínio coibirá comercialização com chocolates.
Compete cada cardeal comer chips consagrado como corpo cristo como condição concluir confissão."

Wasil Sacharuk 

Errante

Errante

Vi o amor sereno
gravar versos
nas tábuas d'alma

Vi o dia de calma
desconheci as alturas
e as quedas
entre as estrelas e o piso
impensados movimentos
invariavelmente
imprecisos

Vi a força do vento
refrescar o sorriso
de dentes de pedra
e de corte
diamante
que rompeu horizontes
das fronteiras
entre vida e morte
do céu e da terra

Vi o nada que espera
além do norte
e doutras esferas
onde habitam
extintos mamutes
urubus e elefantes

Vi teus olhos distantes
a esconder vagalumes
que apagam
e acendem
luzes incertas
brilhando bem fortes
nos meus versos

Vi os sonhos dispersos
no meu planeta conciso
tal marés violentas
á deriva da sorte
navegando errantes
bem distantes
do que chamei paraíso.

Wasil Sacharuk



Sensata

Sensata

Simplesmente sorria
sabia sorrir
sucumbia seriedades
sensualmente, sorria

seu sorriso
simulava sabedoria
sabia ser serena

sorria sem som
sem sentido
somente
sorria, só

seu semblante,
sensível seda
suave

sucumbia sóis
sucumbia sombras
satisfazia
sua safadeza
sensatamente santificada
sobre sua sina

sabia ser sofisticada
servindo somente
sua satisfação

suplicava sentir
seduzia
saciava seu sexo
sentava
sugava

sofrega
sorvia sêmen
sorvia suor
solidão
sexo,
somente sexo

seu sonho:
sentir-se segura
sóbria
séria

salva
sobretudo,


seu sonho
significa somente
sonho
sensatamente santificado
sobre sua sina.

Wasil Sacharuk

Folhas Secas

Folhas Secas

Brisa que lambe os galhos
movimento que vem e vai
mostra no horizonte sereno
as folhas secas que caem

Folhas que cobrem a rua
em tons de cinza e dourado
fazem a dança tão crua
passos com tinta marcados

Sopro que seca os olhos
da lágrima que chega e cai
a rolar pelo chão de segredos
e das coisas que valem

Tardes que acendem luas
em tons de silêncio e brisa
galhos secos das folhas nuas
das memórias que passam lentas.

Dhenova & Wasil Sacharuk

Crops Celestiais VII

Chefe Casa Celestial, conforme celebrava culto cristão, comandou:

"Criaturas crentes!

Casa Celestial carece conseguir contribuições como condição construção casa campo com churrasqueira,com cozinha conjugada, conforme chefe concebeu conversando com cônjuge.

Carecemos celebrar comunhão com Cristo. Compete cada cristão conduzir caminhada com certeza chegar céu com Cristo. Compete cada crente conversar com Cristo, contribuir com capital, comparecer culto, concordar com coisas comandadas, conseguir colaboradores crentes.

Carece cada crente colaborar com capital. Cada criatura carece colaborar com churrasco consagrado comprando cordeiro celestial.

Conforme cita Cartas Celestiais, Coríntios Cinco:

Criaturas crentes chegarão contentes casa celeste, conforme cultivarem consciência, contanto continuem com corpo coberto com calças, camisas, cuecas, calcinhas, carpins, chapéus,casacos, calçados. Cada coisa carece cobrir corpo como condição coibir coito. Coibindo coito, criaturas crentes chegarão céu cheias com confiança, conforme chegarem céu conhecerão Cristo, comerão comidas caseiras celestiais, comparecerão comemoração com criaturas canonizadas, chamuscarão charutos cubanos com Cristo, conquanto contribuam com construção casa campestre.

Criaturas caminharão com crença, cerceando condescendência com coisas consideradas carnais. Criaturas conceberão censura celestial, conduzindo convivência conforme Cristo comandou.

Cada criatura colherá conforme cultivou canteiros.

Cabe cada crente colaborar. Conforme calibre colaboração, Cristo conceberá conquistas. Coloque centenas cédulas caixa Casa Celestial, colabore consignando cheque, cartão crédito com caracteres criptografados. Compareça culto cristão com carteira cheia com cédulas. Cuspa cara Capeta contribuindo com caixa. Conforme criatura contribuir com cem, chefe comandará Capeta correr! Corra, Capeta!"

wasil sacharuk

No que você está pensando?

No que você está pensando?

Queria enviar um recado
no entanto fui bloqueado
na página do facebook

compartilhei alguns links
que foram depois deletados
cruelmente denunciados
por "excesso de sinceridade"

acho que falei a verdade
ao criticar o tal baraque
e seu game tático de ataque
às bases da intimidade

citei um boboca de araque
banana com cara de bobo
que se acha dono do globo
e do direito à privacidade

agora serei acusado de insulto
por postar essas leviandades
quero ver a tocha da liberdade
arder na bundinha do puto

não enviarei recados
quando for excluído
da página do facebook

e acaso o tempo não mude
serei extraditado
de volta ao orkute.

Wasil Sacharuk

Ao Trancarrua das Almas



Ao Trancarrua das Almas

Quero entender os agouros
dialética das minhas dores
e a solidão dessas luas
meu senhor trancarruas
hospedeiro das almas

Quero poisar outras cores
na noite de negro e ouro
a espera do dia vindouro
fronteira da vida e da morte
acaso sejam contrárias

Quero uma capa igual a tua
senhor trancarrua das almas
sobre meu túmulo sem flores
a esconder meus tesouros
medalhas das minhas batalhas

Quero um evento simplório
evite outro circo dos horrores
a mentira que se insinua
a verdade que se diz crua
apenas a pena que valha

Quero cerrar os meus olhos
morrer atento aos rumores
no berço dos meus esplendores
guardados junto aos entulhos
e viver das migalhas.

Wasil Sacharuk

Versos sem dentes


Versos sem dentes

Fico tão triste
quando fechas a porta
um vento me corta
a fortaleza resiste

desiste
insiste
e novamente
resiste

Já vive morta
minha verve doente
entre versos sem dentes
insonsos no bloco de notas

copia
cola
deleta
recorta

alguns clichês de poesia.

Wasil Sacharuk

Não importa

fotografia de Andréa Iunes

Não importa

Minha velha porta
encerradas memórias
enquanto presas as histórias
do meu passado

mas não importa
o passado era fechado
com um triste cadeado

Minha velha porta
trancafiados mistérios
e segregados deletérios
daquilo que sinto

Mas não importa
o que sinto foi extinto
na frieza do trinco

Minha velha porta
obstruídas paisagens
e impedidas passagens
à minha clausura

Mas não importa
a clausura não cura
as dores da fechadura.

Wasil Sacharuk

Pérola Rosa



Pérola Rosa

Nasceu no canteiro 
a exótica flor
como lua no olhar 
sorridente de sol
como amor de poesia 
a astúcia de prosa
a vovó já dizia:
é a Pérola Rosa

Ela cresce girafinha
a girar bailarina 
tao doce de mel
boneca de pano 
e lápis de cor
risos em ramos 
pétalas de amor
histórinhas rabiscadas 
num mundo de papel

com cheirinho de terra 
e a leveza do céu
as suas cores faceiras 
de flor amorosa
soltam uma substancia preciosa
que faz a gente sonhar acordado

E quando estou abraçado
na linda florzinha dengosa
pousam sobre meus ombros 
milhoes de mariposas
graciosas.

Wasil Sacharuk

Crops Celestiais VI

Crops Celestiais VI

Cristo caminhava calmamente centro cidade Central, capital continente chamado Carnaval, cuja comandante confere com criatura com cabelos curiosos, cujo corpinho circular comportava conjuntinho cor caqui. Cristo cismado com causos corridos continente chamado Carnaval. Cismado com comentários cafajestes conferidos com criatura cretina, chamado Contentiano, chefe cristão "Catedral Compre Cristo Com Cartão Crédito", cuja curiosa condução cultos cristãos compromete credibilidade cristianismo. Contentiano correligionário com coligação cristã, criatura cuja conduta correta conferiu com conquista cargo comandante Comissão CDHM. 

Contudo, Contentiano conduziu comentários cínicos, certificando Caetano, cantor com cinzentos cabelos crespos, compartilhar círculos com Capeta. 

Contentiano contra criaturas cujo casamento civil condiciona compartilhamento cacete contra cacete, chavasca contra chavasca, criaturas com cu calorento. 

Contentiano comentou com certa cizania como criaturas cor cravo canela, com cabelos carapinhados com contornos circulares, consistem criaturas condenadas como Canaã. Contentiano considera criaturas cor cravo canela como causa condições catastróficas. Contudo cristão Contentiano casualmente contém certa carapinha coroando cabeça, contudo carece condicionar cabelos com calor criado com chapinha. Conforme coloca chapinha, Contentiano crê conter cor caucasiana. Criatura cheia complexos conformados com conceitos concomitantes com crenças cretinas cujos chefes conquistaram cu cheio com capital. Conseguiram contas correntes carregadas com caridade.

Cristo conduziu conversação com Contentiano com certa consciência. Cristo com carência chamar Contentiano conversar como criaturas comuns, cara-cara, cagar cabeça cretina com cocurutos, cutucar consciência, comandar criatura catar coquinhos caídos chão canteiros colorados, conhecidos como Caldeira, cujo calor cruel companheiro Capeta comanda com certeira competência. 

Cristo comandou chofer conduzir carro chegando casa Contentiano. 

Conforme Contentiano chegou Casa Celeste, conversou com Cristo com certa cortesia:

"Caro Cristo, continuo como criado cristianismo, como cristão convicto, como criatura com comportamento condizente com Cartas Cristãs. Carece convocar criaturas crentes como comemoração comparecimento Cristo casa cidadãos comuns. Companheiro Cristo comparecerá comigo Casa Criaturas Crentes? Contentiano com Cristo compartilharão conhecimento contido Cartas Cristãs com criaturas crentes, cujo capital conseguido com caridade colocaremos carteiras. Caro Cristo, Contentiano contente com comparecimento Cristo. Cristo comparecerá comigo culto cristão? Consideraremos colaborações com cheque, cartão crédito, cofre com chave, capital consolidado, carros, casas, cédulas cambiais comercializáveis... com carteiras cheias, comeremos cu criaturas com cabeças cheias com cocô."

Cristo continuou cara-cara com Contentiano, cismado com colocações cabulosas. 

Confuso, Cristo com celular chamou Capeta:

"Caro companheiro, careço comandar criatura com chapinha coroando cabeça chegar Caldeira. Chofer conduzirá carro com criatura. Copiou, caro Capeta?"

"Claro, camarada Cristo. Capeta comandará criaturas caídas cagarem costas Contentiano com cacete!"

Wasil Sacharuk

Rosa náutica

Rosa náutica

O traçado 
no horizonte
a dividir nossas sortes
define o próximo 
define o distante
a volta da vida 
na roda da morte

O traçado
no horizonte
rasgo aberto de um norte
define o azimute
define o quadrante
rosa náutica
em seus cortes.

Wasil Sacharuk

Poesia de graça

Poesia de graça

Das mulheres
és a única que quero
única que não posso querer
mas talvez algum dia

Danielas, Sofias, Macabéas
Gilcinéias, Estelas, Bias
Marias, Andréias e Poesias 

listar substantivos próprios 
de gênero feminino
é artifício consagrado
que ninguém mais atura
pois é puta chavão
nos meandres da literatura

mas dá algum resultado
até com rimas em "ão"

Das mulheres
és a única que quero
única que não posso querer
mas talvez algum dia

Julianas, Cibeles, Berenices
Alices, Francieles, Fabianas
Anas, Grazieles e Poesias

tomei minha cachaça
logo após meiodia
sentei no banco da praça
para ler a poesia
que tem na internet de graça

e digo assim, numa boa
hoje eu li o Fernando Pessoa
mas prefiro o Bento Calaça.

Wasil Sacharuk

Flores morrem - acróstico

Flores morrem

Flores vivem
Livres
Ousadas
Respirando
Entre
Sussurros

Morrem flores
Odores
Raros
Residindo
Entre
Muros

Wasil Sacharuk

Contexto

Contexto

Com siso
com juízo
coesão
com sentido
concisão

Com fluência
com tino
coerência
com clareza
consequência.

Wasil Sacharuk

Estrada de ferro

Estrada de ferro

Decerto, 
não és dormente
pelos carris atravessados
no balastro preparado
cascalhos e pedra rolada
de ânimo ausente
pelas ferrovias

Trilhos sem atalhos
terrapleno sem sementes
caminhos malfadados
sem beleza ou poesia
pela cama de britas

Decerto,
não és um hemisfério
a dividir galerias
entre tirafundos cansados
sobre gravilhas 
bem cravados
a sustentar o ferro
de nossas vidas.

Wasil Sacharuk

Se sou

Se sou

Nao sei se sou poeta
mas se nao escrevo
eu sinto que devo
sinto que aperta
a caneta no peito
daí nao tem jeito
sai poesia na certa.

Wasil Sacharuk

Mana


Mana

Mana, algo tão diferente
saiu de dentro de mim
pela noite silente
na tocaia da lua minguante
um fiat lux no meu abrigo

E creias no que te digo
hoje todos viram luzes
por detrás das cruzes
iluminando as pedras
e criaturas estranhas
vindas de outras eras

Mana, minhas ideias
são meras quimeras
ou tolices tamanhas
que apenas em outras esferas
poderiam ser entendidas

Em nossas distintas vidas
cruzamos as mesmas estradas
paramos nas mesmas paradas
trilhando o curso dos amantes
tão livres
tão claros
e distantes

Hoje vi os caminhantes
andando depressa
carregando pastas negras
e via de regra
vi os meninos da vila
que fica aqui ao lado
queimando uma vela
dançando sem camisa
no estacionamento 
do supermercado

Mana, um dia ensolarado
estará chamando por nós
com seus raios energizados
quentinhos de felicidade
a secar as poças nas ruas

Mas se chegar nova lua
nesse canto da cidade
por onde eu ando sozinho
te direi da necessidade
de contar com teu carinho.

Wasil Sacharuk

Corda bamba de vento

Corda bamba de vento

Pés descalços sem meias
agora dependuradas
foram desviradas
separadas metades
na corda bamba de vento
pregadas nas extremidades
tão frágeis

Eis que são adoráveis
os trejeitos de um blusão
amaciante no coração
fofa suavidade
na corda bamba de vento
pregado entre as verdades
subconscientes

É tão diferente
a dança das camisetas
as brancas e as pretas
para espantar umidade
na corda bamba de vento
lágrimas gotejam saudade
que cai seca ao chão.

Wasil Sacharuk

Crops Celestiais V

Cristo caminhava calmamente centro cidade Central, capital continente chamado Carnaval, cuja comandante confere com criatura com cabelos curiosos, cujo corpinho circular comporta conjuntinho cor caqui. Cristo cismado com causos corridos continente Carnaval. Cismado com comentários cafajestes com criatura cretina, chamado Contentiano, chefe Catedral Compre Cristo Com Cartão Crédito, cujos cultos conduzidos comprometem com credibilidade cristianismo; correligionário comprometido com coligação cristã; comandante Comissão CDHM. 
Com comentários cínicos, Contentiano certificou cantor Caetano, com cinzentos cabelos crespos, compartilhar círculos com Capeta. Comentou com cizania como criaturas cor cravo canela, com cabelos crespos, com contornos circulares conhecidos como carapinha, consistem criaturas condenadas como Canaã. Contentiano considera criaturas cor cravo canela como causa condições catastróficas. Contudo cristão Contentiano carece condicionar cabelos com carapinha com calor criado com chapinha. Conforme coloca chapinha, criatura consegue crer conter cor caucasiana. Criatura cheia conceitos conformados com crenças cretinas cujo cu caiu com cara chão.
Cristo conversou com consciência, certo carência chamar Contentiano conversar como criaturas comuns, cagar cabeça cretina com cucurutos, cutucar consciência, comandar criatura catar coquinhos chão canteiros colorados cujo calor cruel, companheiro Capeta comanda.
Cristo comandou chofer conduzir carro chegando casa Contentiano. Conforme chegou, Contentiano conversou com cortesia:
"Caro Cristo, continuo como criado cristianismo, como cristão convicto, como criatura com comportamento condizente com Cartas Cristas. Como comemorar comparecimento Cristo casa cidadão comum, comprometido com compartilhamento coisas constante Cartas Cristas? Caro Cristo, Contentiano contente com comparecimento Cristo. 
Cristo comparecerá comigo culto cristão? Conseguiremos centenas colaborações com criaturas crentes. Consideraremos colaborações com cheque, cartão crédito, cofre com chave, capital consolidado, carros, casas, cédulas cambiais, capitalização, crédito consignado, caraca... conseguiremos consolidar cu criatura crente! Carece Cristo comparecer comigo. 
Colocaremos criaturas coloridas cela com cadeado. Contentiano cospe cara criaturas coloridas. Coloridos consistem como criminosos, corruptores círculos consanguíneos. 
Caro Cristo, como criaturas coloridas conseguem contorcer cobras, cacete com cacete, como criaturas com Capeta consumindo cabeça corrupta? Como conseguem colocar cu coçando cu? Como criaturas conseguem colocar chavasca contra chavasca? Concorda, Cristo? Como criaturas conseguem chupar coisas cabeludas? Crimes contra consciência cristã!
Colocar cacete centro cu confere com coisa considerada comum, contudo, contraria criação crianças, contrariando continuidade criaturas. Criaturas carecem considerar colocar cacete centro chavasca. Conforme caldo cair, criará criança cristã. Copiou?
Cristo concorda comer castanhas com champanhe? Colocarei conta custeada com cofres Casa Civil. Comportamento considerado comum com confederados."

Cristo, com cara chão, conversou:

"Caraca, Contentiano, careces conhecer charmosa criatura chamada Capeta, conhecido carinhosamente como Cramulhano. Contentiano com Cramulhano compartilham conceitos comuns."

Cristo chamou Cramulhano celular:

"Caro companheiro, careço comandar criatura Contentiano, cachorro cretino com chapinha, comparecer Casa Capeta, como consta cláusula cinco contrato convênio Casa Celestial com Casa Capeta. Caso caro Cramulhano considerar cabível, cabe cravar chifre centro cu criatura calhorda."

Wasil Sacharuk

Crops Celestiais IV

Contam, certos cidadãos chilenos, causo cuja criatura chamada Cristo convidou camarada Cramulhano comparecer certa celebração cujo conteúdo constava comemorar cinco centenários cruzada católica Cristo contra Capeta.

Cristo colocou convite:

"Caríssimo colega Cramulhano, cabe comemorar cruzadas consumindo coisas compatíveis com criaturas caras, cujos corações compadecem com carinho, com consideração.
Comandei criaturas celestes comprarem camisas, calças, calçados, cuecas, calcinhas, chapéus, completamente coloridos com cor colorada, cor cujo camarada Cramulhano considera como cor cara.
Criaturas celestes completamente curiosas com celebração cujo convidado cerimonial confere com camarada Cramulhano, criatura cuja cumplicidade Cristo conhece conquanto cultiva.
Comandei criaturas celestes comprar canapés confeccionados com criada Comandante Chico, criatura cujos canudinhos com carne conferem com coisa celestial. Cabe consumir com cervejas congeladas.
Comandei comprar cachaça, cigarros, coca... cabe companheiro consumir com certo comedimento.
Cozinharei cenouras com chitaque, couve, cebolas cruas, claro. Confeitarei cake com chocolates, com coco, coberto com creme chantili composto com clara cozida.
Como comprovação carinho com companheiro, considero contratar charmoso cantor, cuja cabeleira crespa causa calafrios, chamado Cauby.
Chefe Casa Celeste com competente chofer chegarão casa camarada Cramulhano. Carro conduzirá caro companheiro Centro Cerimonial. Confirme certeza comparecimento.
Cabe considerar como camarada consta como criatura controversa, cuja conduta confere com cidadão causador crimes, criador ciúmes, cafajestices, canalhices, cretinices... contudo, considero criatura com carinho, como cúmplice causador coisas calhordas com cérebros criaturas."

Cramulhano, com contentamento, confirmou comparecimento:

"Caro cidadão Cristo. Comovido com cara consideração, comparecerei celebração.
Como complemento comemorações, contratarei criaturas contorcionistas.
Comeremos conquanto chupamos.
Com carinho, Cramulhano."

-Cruzes!

Na rota do estupor

Na rota do estupor

Dona Quifêrva está velha 
pela casa insalubre
arrasta esfarrapadas pantufas 
com odor de cachorro molhado

O seu grande legado
a essas alturas da existência 
é o aprendizado
de que comer e dormir
talvez dormir e comer
evita medidas drásticas

Introjeta emoções homeopáticas 
nas novelas televisivas 
e nos programas de auditório
quanto mais pobres de utilidade
melhores serão
resguardam a sensibilidade 
do cansado coração
que lá essas coisas
já não anda

Eis que troca as demandas 
por um café reforçado
dois ou três pães franceses 
quentinhos e estufados 
com presuntos e queijos

O seu único desejo
habita entre a cama e a mesa
na rota do estupor
donde tem a certeza
que se um dia desses vai
nesse dia vai sem dor.

Wasil Sacharuk

Desembocaduras

Tela: Paul Rumsey


Desembocaduras

Ah que há em nós
viés de desembocaduras
donde perpassa poesia
a obscuridade dos dias
e a clareza
das noites escuras

nossos signos
desaguam tal foz

ah que há beleza
onde cruzam as vias
a apertar os nós
dos melindres e estruturas

encontro de rios
desaguam sorrisos
sobre a mania
de humanamente pensar
a vida dura

ah que paira no ar
a atmosfera de cura.

Wasil Sacharuk

Crops Celestiais III


Chovia canivetes. Criaturas caminhavam com capas, com chapéus, carecendo chegar casas. Comerciantes cerraram comércio. Céu cortava com cabrums! Carros capotavam, crianças corriam... contudo, como caros companheiros, Capeta comungava com Cristo círculo comestível chamado como chips consagrado. Com certa comiseração Capeta comentou:
-Continuo com carência comida. Chips consagrado contrário coisas cuja consistência condiciona criatura cagar com contentamento. 
-Capeta carece cultivar costume comer com compaixao.
-Compaixao? Claro, claro. Contudo, convido camarada Cristo chegar cantina céu considerando comer coxinha. Comeremos coxinhas conquanto consumimos cachacinha.
-Certamente, caríssimo Capeta. Cachaça cai convulsionando corpo Cristo. Contrariamente como cai cerveja... caindo circularmente. Contudo, considero convite com carinho.
-Cristo come cebolas cruas?
-Credo, Capeta, cebolas cruas, come consegue?
-Consumo cada círculo cebola cruas com contentamento.
-Como? Capeta costuma comer círculos?
-Como centenas círculos
-Credo!

https://www.facebook.com/groups/carabook/

Crops Celestiais II

Cientistas canadenses com colaboração competentes computadores cavaram chão continente chamado Carnaval conseguindo cadernos cujo conteúdo conta com criteriosa censura. Canovaticínio condena cadernos como caluniadores contra crença católica. Curiosamente, cadernos completamente conservados, confirmados com carbono catorze contam como Cristo conversou com Capeta:
-Cristo, come churrasco?
-Claro, caro Capeta, contudo, como conseguiste, companheiro?
-Carneei centenas cordeiros cristãos colaboradores catedral
-Caraca, compadre, como comeria cordeiros cristãos?
-Com cerveja, criatura
-Com colarinho, companheiro?
-Claro, cerveja clara com colarinho, cabeludo
-Certamente, Capeta. Contudo, consagrarei cordeiro com cerveja. Conforme Criador comentou: "cu cervejeiro carece comandante".
-Caralho! Como Cristo consegue comentar coisas condenáveis?
-Coceira, caro, coceira!

Wasil Sacharuk

Crops Celestiais I

Caros colegas conversadores Carabook

Cheguei casa companheiro Catilinas com cabeça cheia com coisas consideradas criminosas. 
Colocamos camisetas chapadas com chamada católica: "carece cristo chegar com cabelos claros compridos". Conversamos coisas concernentes com crenças cristãs. 
Chegamos conclusão: carecemos cruzar céus chegando continente chamado Canovaticínio com condição conhecer crença católica. Carecíamos certezas, carecíamos compreender coisas,
conhecer cardeais, conhecer Chico, compreender caridade, comungar com cruz.
Chegamos contentes conforme cruzamos com cartaz contendo chamamento: "colabore com Canovaticínio comprando cartões, cruzes, calendários com cara Cristo, coroas, camisetas, cadernos com contos cristãos, chaveirinhos, chapéus, comungue com criancinhas com carinhas contentes, compre cômodo céu, confesse com cardeais, coma chips consagrado... consideramos converter câmbio, cheques com conta corrente checada, cartão crédito."
Como conclusão, Catilinas com Cara Cabeludo conquistaram cabeça cristã... completamente convertidos catolicismo. Criaturas crentes, certamente.

Wasil Sacharuk

Boca

Boca

sussurras o nome
assanhados cabelos
bebes beijos
e das roupas
que eram poucas
nada fica

de ti sei da fome
que pega
que come
me some
sincronia de dentes
poesia de língua
dança alucinada

suplicas desejos
provas dedos
até o fim
se digo que sim
a mim
não recusas

arranco segredos
de verve afiada
versos em brasa

as marcas
espalhadas
nas entradas
e o encanto
pelo canto
da boca
semicerrada

wasil sacharuk


Viajante de vinho


Viajante de vinho

Gosto
se te aproximas
a repassar meus lamentos
e dissabores
tal os outros idosos
falo de minhas dores

também gosto 
daquilo que não gosto
mas somente me importo
se eu perco o humor
e o discernimento

gosto 
desse teu indagar
falsamente ciumento
que se diz inseguro
mas que invade o momento
com um sutil argumento
e o toque mais puro

mas também gosto 
do teu carinho
que já sabe o quanto
eu gosto de estar sozinho
para poder poetar 
viajante de vinho
dar a vida ao rebento
sobre meu desalinho.

Wasil Sacharuk

Durante o dia - acróstico

Durante o dia

Doze horas
Um plasma de sol
Reluz meu mundo
Acordei agora
Não é natural
Ter um dia normal
E depois ir embora

Ora, não é poema profundo

Durante o dia eu mudo
Isso não é nada mal
Ajuda a esquecer de outrora.

Wasil Sacharuk

Saber-se entre versos


Saber-se entre versos

Caso queira saber-se à beira dos meus dias
faça de conta que as horas são fugitivas
dos olhares da morte sorrateira...
à beira da vida é um bom esconderijo
para seus delírios de poesia.

Solo donde arrebentam cadências estelares
que escorrem ligeiras pelas galerias
a repercutir entre outras vidas
moinhos de signos recriam os desejos
de paixões apuradas em refinaria.

Mas, se não procura saber-se entre meus versos,
tente ouvir o grito do meio...
O esteio da metáfora acesa é a mesa
posta sobre o dia inteiro.

Desvendará os eventos sobre a esteira
das tênues realidades e seus avessos
em vocábulos certeiros mas sem certezas
que instigam a saber-se em seus retrocessos.

Juleni Andrade & Wasil Sacharuk

Sensações passageiras



Sensações passageiras

Os olhos são amarelos
da cor do cabelo
mudando em mechas e sentimentos

Chuva chega sorrateira
molha cola o colo
percorre além dos seios

Já os olhos
deságuam memórias
de nuas mãos entrelaçadas

cúmplices no caos e na glória.

Salpicam bolhas nas janelas
que recobram histórias
habitantes do espelho

Aquelas sensações passageiras
retrados partidos ao meio
pela sina e suas tramoias
e a canção desafinada

que diz dos que foram embora.

Bia Cunha e Wasil Sacharuk

Paparança

Paparança

O Chico veio voante
que nem ave divina
traçando um risco no céu

e sob o ridículo chapéu
por debaixo da batina
ele não é diferente

igual a todo vivente
papagaia
paparranga
papamor
papagrana
papapau
papacu.

Wasil Sacharuk

O que não se mede



O que não se mede

Ouça...

Quero
Um
Encanto!

Nosso
Amor
Onipresente

Sem
Entretantos

Meu
Eu
Docemente
Entregue.

wasil sacharuk

Foi deus se...

Foi deus se...

Sentenciaste-me poerege
escriba dos contracredos
meus versos não ré ligam fé
sequer sentem dó
se são da filo sol fia
e das porfias
renegam argujumentos ortodoxos
e apelos sem tino mentais

a ti
com tuas doutrinas
dou-te rimas
que inventam verdades
universais
a quem não crê
se foi deus se...

Wasil Sacharuk

Das marés escravas da lua



Das marés escravas da lua

Cheguei nascituro 
no dia presente
portador de incertezas 
demais eloquentes
e umbigo partido 
com livre tesoura
vim no tubo de óleo 
que hidrata assaduras

Cheguei bolhadágua 
que pinga das fontes
furtacores dos prismas 
irreais diamantes
dono rico do brilho 
calhorda das ruas
vim pela delicadeza 
indiscreta da lua

Cheguei no flash 
de insight errante
angelical urubu 
ou delicado elefante
diabo resplandescente 
da aura mais pura
vim na estrela cadente 
na noite escura

Cheguei atrasado 
no próximo instante
na primeira lâmina 
da cruel cartomante
escorpião que envenena 
com sua picadura
vim da dor que me mata 
e da dor que me cura.

Wasil Sacharuk

Do pó que faz pedra nas águas

Do pó que faz pedra nas águas

Tantos anos passados
não foram poucas
as navegações
pelas rotas mais loucas
a rodar timões
desenganados

estivemos lado a lado
copos na mesa
navegamos whisky derramado
marolas e ressacas
ondas de incertezas

nossa velha barcaça
move a vela
de toalha de mesa
traz memórias acessas
tão vivas como antes
histórias de navegantes
pouco ou nada diferentes

nosso encontro na foz
fez poema de versos correntes
cuja origem é nascente das mágoas

assim somos nós
assim fomos feitos

do pó que se encerra
habita o fundo das águas
constitui antigo agregado

e lá do outro lado, na terra
aguardamos o dia perfeito
em que voltaremos ao pó

assim somos pedras
assim somos sós

wasil sacharuk

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Respirando as cores do vento

Respirando as cores do vento

Amigo, senta aqui comigo
vamos conversar?

vamos falar da vida e das dores
e dos amores que temos
e dos que ainda queremos conquistar?

Que tal um pouco de nostalgia...
uns dez anos de melodia 
e mais um tanto de poesia?

E se faltar algum brilho
vamos pintar o ostracismo
com faces de novidade?

Amigo, vamos sair juntos
para caminhar?

Desbravar a rota das flores
margaridas e crisântemos
respirar todas cores do ar

Até que amanheça o dia
outro dia e outro dia
palavreando sem pensar

E se faltar luz
vamos incendiar a tristeza
com faíscas de amizade.

Márcia Poesia de Sá e Wasil Sacharuk

das'Dores

Tela: Marc Chagall



das'Dores

Não vou perder a vida
para as dores
círco dos horrores 
precipício
desfile de vícios 
multicores
nos ausentes olhos 
da modelo magricela

não vou assistir 
tudo da janela
ser outro pateta 
que peida flores
com tv a cores 
feito cela
e projetar na tela 
meu hospício

não vou me prostar 
no desserviço
a passos falsos
pelas tabelas
botar fogo nas velas 
contra enguiços
e girar a esfera 
dos estupores

não vou ficar aqui 
florindo flores
em versos infratores 
estilísticos
e inversos anticristos 
pecadores
na língua sem pudores 
das balelas

não vou nem ver
cair a espinhela
desplugada das válvulas
e sensores
das cinzentas cores 
dos suplícios

não vou morrer omisso
hoje eu quero 
morrer de amores.

Wasil Sacharuk

Hipotenusa


Hipotenusa

O traço da mi'a vida hipotenusa
nas rimas mal inclusas nos sonetos
que passa por quartetos dor difusa
na rota que recusa o ângulo reto

No vértice aberto está intrusa
a escrita que desusa o obsoleto
quadrado dos catetos soma escusa
a linha que acusa o longe e o perto

Nem sempre que aperto parafusa
sequer encontro musa nos tercetos
nem sempre que eu tento sou esperto

Nos versos encobertos está confusa
a letra inconclusa pelos ventos
traduz seu comprimento em dialeto.

Wasil Sacharuk

Vasto


Vasto

Habita em mim

a raiva
chama acesa
ardente
exata
marcada 
afinada

ao tom incerto
no toque inconstante
espalhada na trilha

num rompante

Quando a raiva
insinua
e adentra a noite
arranha
a pele nua
como açoite

meu grito aberto
tão deselegante
risada que humilha...

Habita em mim

a calma
abstrata
emoldurada
largada
frouxa
figurada

ao sabor do vento
no beijo amante
encantado na parceria

fulgurante

Quando a calma
se torna
uma busca na vida
a alma
retorna
para fechar ferida

um doce momento
não está distante
ocultado na poesia.

Dhenova & Wasil Sacharuk

Fantasma Guru

Fantasma Guru

criaste um fantasma
ao qual chamaste guru
num formato de miasma
diversos matizes de blue
um degradê de contrários
um norte vestido de sul

assombração dos cenários
dos bordeis
imaginários
das vãs poesias
ousadias
e tantos balacubacos

mas no mundo dos fracos
viste planar simulacros
onde vingou a profecia
de decretar baixaria
no vaivem dos hormônios
de dar indulto aos demônios
aos jogos e bruxarias

criaste fantasma da insônia
das tiranas
balzaquianas
perfumadas de alfazemas
e odores
de todas as cores
além do piercing na vagina

entre os estratagemas
e o show de horrores
prevaleceu a sina
do holográfico
fantasma guru
e seus dons mágicos
que resultaram trágicos
e decepcionantes
tal tomar anilina
e pensar em refrigerante

criaste o fantasma
em traje de gala
ao qual chamaste guru
que cala
e não fala
não pensa
não presta
uma besta
pretensa
um norte vestido de sul

assombração dos cenários
dos bordeis
imaginários
das vãs poesias
ousadias
e tantos balacubacos

wasil sacharuk

Inspiraturas