Almas de Vento

   

     Almas de Vento

    E de que metade nos assemelha o sabor?
    a coloração tácita do cérebro
    um elo entre o visível e o invisível

    - Quem somos nós?
    Prendemos versos entre anés do infinito
    onde o fogo arde a dança néscia
    um alimento ao irreal impossível

    Não estamos sós!
    Poetas das entranhas benignas
    malditos seres com almas de vento...

    - Quem somos nós, rastejantes?
    ou voadoras flechas do intelecto?

    Somos os prestiditadores dos signos
    bardos confinados às letras e cantos
    não estamos sós, mesmo distantes
    nas sonhadoras curvas do dialeto

    Inquietamo-nos sem saber...
    aquietamo-nos por preguiça!
    somos o raio que simboliza
    e a dor que agoniza
    inocência e malícia
    de escrever.

    Márcia Poesia de Sá & Wasil Sacharuk