Seara

Fantasma Guru

Fantasma Guru

criaste o fantasma
ao qual chamaste guru
num formato de miasma
diversos matizes de blue
um degradê de contrários
um norte vestido de sul

assombração dos cenários
dos bordéis
imaginários
da vã poesia
ousadias
e tantos balacubacos

mas no mundo dos fracos
viste planar simulacros
onde vingou a profecia
de decretar baixaria
no vaivem dos hormônios
de dar indulto aos demônios
aos jogos e bruxarias

criaste fantasma da insônia
das tiranas
balzaquianas
perfumadas de alfazemas
e odores
de todas as cores
além do piercing na vagina

entre os estratagemas
e o show de horrores
prevaleceu a sina
do holográfico
fantasma guru
e seus dons mágicos
que resultaram trágicos
e decepcionantes
tal tomar anilina
e pensar em refrigerante

criaste o fantasma
trajado de gala
ao qual chamaste guru
que cala
e não fala
não pensa
não presta
uma besta
pretensa
um norte vestido de sul

assombração dos cenários
dos bordéis
imaginários
das vãs poesias
ousadias
e tantos balacubacos.

Wasil Sacharuk

A Lua e mais nada

foto: W Sacharuk


A Lua e mais nada

Vejo novembro
sob o foco da lua
íris de ouro e prata
e tom nostalgia
gritos de luz que ecoa
na noite calada
em mim só encontro a lua
e mais nada

Vejo novembro
sob o prisma da poesia
corpo coberto com véu
que seduz e insinua
toma emprestado do sol
e oferece à rua
espelha a face de Apolo
em calor e ousadia

Vejo novembro
sob um facho na estrada
na eloquência das marés
e verves alteradas
nas danças insanas
nos saraus da geologia
e morre distante dos olhos
quando a noite recua

Eu vejo novembro dormir
quando dorme a lua.

Wasil Sacharuk

Almas de Vento

   

     Almas de Vento

    E de que metade nos assemelha o sabor?
    a coloração tácita do cérebro
    um elo entre o visível e o invisível

    - Quem somos nós?
    Prendemos versos entre anés do infinito
    onde o fogo arde a dança néscia
    um alimento ao irreal impossível

    Não estamos sós!
    Poetas das entranhas benignas
    malditos seres com almas de vento...

    - Quem somos nós, rastejantes?
    ou voadoras flechas do intelecto?

    Somos os prestiditadores dos signos
    bardos confinados às letras e cantos
    não estamos sós, mesmo distantes
    nas sonhadoras curvas do dialeto

    Inquietamo-nos sem saber...
    aquietamo-nos por preguiça!
    somos o raio que simboliza
    e a dor que agoniza
    inocência e malícia
    de escrever.

    Márcia Poesia de Sá & Wasil Sacharuk

Lágrimas vulcânicas

Lágrimas vulcânicas

Sob o paceder
amálgama mineral
pedras incandescentes
e lacrimosa lava

Dissolvida liga
nas angústias ardentes
derramado viscoso metal
de fogo de água e de sal.

Wasil Sacharuk

O Bicho Carpinteiro

O Bicho Carpinteiro

O Bicho Carpinteiro
é o bagunceiro da escola
coleguinha "sem noção"
que nunca aprende a lição

Chutou tão forte a bola
e sequer havia goleiro
arrancou a flor do canteiro
esse monstrinho está por fora

ele é um bichinho bobão
que não sabe ouvir "não"
nunca escuta a professora
e briga durante o recreio

e quando o bicho diz nome feio
os seus amigos vão embora
adora bancar o machão
ainda cria mais confusão

mas todos esperam a hora
desse bicho ser menos arteiro
e se não mudar isso agora
ele jamais terá companheiros.

Wasil Sacharuk

Trôpego



Trôpego

Verso errático, trôpego
cego, afônico e átono
dado a chiliques encefálicos
para morrer proparoxítono

De pontacabeça, fálico
revelou-se cálido e rústico
encamisado com plástico
logrou-se meio estapafúrdio

Depois tombou epiléptico
parabólico e estrambótico
movimentou-se tanto elíptico
entre cambaleios drásticos

E desfaleceu lânguido
cabisbaixo e cáustico
para anoitecer esquálido
enternecido e estúpido.

Wasil Sacharuk