A Lua e mais nada

foto: W Sacharuk


A Lua e mais nada

vejo novembro
sob foco de lua
íris de ouro e prata
e tom nostalgia
luz que ecoa
na noite calada
em mim só encontro a lua
e mais nada

vejo novembro
sob prisma de poesia
corpo coberto com véu
 seduz e insinua
toma brilho do sol
e oferece à rua
espelha a face de Apolo
em calor e ousadia

vejo novembro
sob facho na estrada
 eloquência das marés
verves alteradas
nas danças insanas
nos saraus da geologia
morre distante dos olhos
quando a noite recua

vejo novembro dormir
quando dorme a lua

wasil sacharuk

Almas de Vento

   

     Almas de Vento

    E de que metade nos assemelha o sabor?
    a coloração tácita do cérebro
    um elo entre o visível e o invisível

    - Quem somos nós?
    Prendemos versos entre anés do infinito
    onde o fogo arde a dança néscia
    um alimento ao irreal impossível

    Não estamos sós!
    Poetas das entranhas benignas
    malditos seres com almas de vento...

    - Quem somos nós, rastejantes?
    ou voadoras flechas do intelecto?

    Somos os prestiditadores dos signos
    bardos confinados às letras e cantos
    não estamos sós, mesmo distantes
    nas sonhadoras curvas do dialeto

    Inquietamo-nos sem saber...
    aquietamo-nos por preguiça!
    somos o raio que simboliza
    e a dor que agoniza
    inocência e malícia
    de escrever.

    Márcia Poesia de Sá & Wasil Sacharuk

Lágrimas vulcânicas

Lágrimas vulcânicas

Sob o paceder
amálgama mineral
pedras incandescentes
e lacrimosa lava

Dissolvida liga
nas angústias ardentes
derramado viscoso metal
de fogo de água e de sal.

Wasil Sacharuk

O Bicho Carpinteiro

O Bicho Carpinteiro

O Bicho Carpinteiro
é o bagunceiro da escola
coleguinha "sem noção"
que nunca aprende a lição

Chutou tão forte a bola
e sequer havia goleiro
arrancou a flor do canteiro
esse monstrinho está por fora

ele é um bichinho bobão
que não sabe ouvir "não"
nunca escuta a professora
e briga durante o recreio

e quando o bicho diz nome feio
os seus amigos vão embora
adora bancar o machão
ainda cria mais confusão

mas todos esperam a hora
desse bicho ser menos arteiro
e se não mudar isso agora
ele jamais terá companheiros.

Wasil Sacharuk

Trôpego



Trôpego

Verso errático, trôpego
cego, afônico e átono
dado a chiliques encefálicos
para morrer proparoxítono

De pontacabeça, fálico
revelou-se cálido e rústico
encamisado com plástico
logrou-se meio estapafúrdio

Depois tombou epiléptico
parabólico e estrambótico
movimentou-se tanto elíptico
entre cambaleios drásticos

E desfaleceu lânguido
cabisbaixo e cáustico
para anoitecer esquálido
enternecido e estúpido.

Wasil Sacharuk