Seara

Demais

arte deMargot Vidal

Demais

Aquilo que julgam demais não me consome
pois sempre vem, me tenta e depois some
contudo, não fica atracado em meu cais

Não devaneio em barracos ou catedrais
não temo as valentias ou bulas papais
encontrei minha bússula na felicidade

Não, não desejo comprar nenhuma verdade
só atendo aos chamados da minha vontade
E só o que sinto considero demais...

Tenho o foco naquilo que sinto
e só o que sinto para mim é demais.

Wasil Sacharuk

Escorpião



Escorpião

Sou um espectro na escuridão
não me ofertes a luz
e não me ameaces com a cruz
meu sol dorme em escorpião
conheço os auspícios da morte

Sou profundidade do corte
e renego o dogma cristão
não barganho por absolvição
vivo ao desígnio da sorte
sem saber para onde conduz

Sou plenamente capaz
nas demandas defino o norte
onde estrelas brilham a paz
nato e digno herdeiro do dote
de amassar o meu próprio pão.

Wasil Sacharuk

Shantala



Shantala

Teus gestos vibram nuanças
a espargir harmonia
deslizam sutilezas mansas
onde as nascentes de energia
jorram por sobre hemisférios

Tuas mãos aquecem mistérios
nas temperaturas mais frias
a amar essas vidas crianças
que avançam na esteira dos dias
em busca de paz e confiança

Teu toque descobre esperanças
sob as incertezas sombrias
num ritmo suave de dança
de mãos que transcendem poesia

Wasil Sacharuk

Lena Ferreira & Wasil Sacharuk - Cilada


Dhenova & Wasil Sacharuk - Voo de Sangue


Dhenova & Wasil Sacharuk - O Outro Lado


Dhenova & Wasil Sacharuk - Meu eu e minha amiga


Dhenova & Wasil Sacharuk - Contato


Wasil Sacharuk - Carta à Fada do Reino da Luz




Cara Fada do Reino da Luz

De todos os males, que se extirpem as raízes. Se árvores sussurram decerto estão a conspirar. Considere que esses entes amotinados em suas tristezas, porventura, conspiram pelo próprio bem, e fazem da empreitada a salvaguarda da sanidade. Não suspeite de suas árvores, pois a maledicência não as cabe, mas sim às ameaças que espreitam aos arredores de seu malfadado morro uivante. 

Prepararei a poção,  no entanto, perceba-a falível em virtude de sua ação paliativa. A persistência da causa renovará os efeitos nocivos e, esses, tomarão grandeza ao passo em que se agregam ainda mais á rotina e à cultura do povoado. Ainda hoje colherei as raízes e procederei os ritos iniciais. Após a doce lua pousar um ou dois raios azulados sobre a solução, poderei solicitar que meu pupilo as entregue no Reino da Luz. Enquanto aguarda, tranqüilize suas árvores.

Com bem disse o Mago do Mar, os peixes mutantes são procedentes da Cidade da Nuvens. Entretanto, não se tratam de um produto da alta magia, mas sim, um procedimento evolucionário comum a essas espécies. Esses estranhos animais não tardam a buscar os recursos adaptativos que a cadeia de eventos os solicita. Por essa natureza é que subsistem com tanto vigor. Se chover, nascem-lhes remos, Se o Vulcão Earth cuspir sua lava, os peixes voadores se fazem duramente encouraçados.  Há de se esperar pela conclusão da Era das Chuvas e o início da Era dos Ventos, quando logo crescerão suas asas enquanto seus remos diminuirão. Mas saiba, cara Fada, que os remos não sucumbirão, pois o signo da experiência evolutiva jamais se apaga da memória física de um ser.

As sementes de frases incríveis iluminarão os sorrisos presentes no Festival dos Magos. Agradeço a cortesia do envio dessas raras espécies. Aproveito para pedir-lhe que nos honre com sua presença luminescente no festival. Entre os preparativos dessa safra contaremos com um sarau onde os poemas declamarão seus poetas. 

Que sua paz seja profunda

Sir W 


wasil sacharuk

Abertura de "Movimentos Elásticos ou coisas assim..." (Dhenova & Wasil Sacharuk)


Dhenova & Wasil Sacharuk - A ternura de um dia


wasil sacharuk - Murchaflor


Murchaflor

Faço da estranha energia 
arrebentações de poesia
pouco de rima cercada de mágoa
sem cartola, coelho e brilhos

troco o país das maravilhas
pela solitude da minha ilha
pouco de terra cercada de água
e finco a bandeira do exílio

Meu cansaço de murchaflor
floresce do broto dos medos
desconheço como esquecê-los
e lograr teus doces desvelos

entre icebergs e folguedos
entendo os riscos do amor
cruzo do abismo ao esplendor
em busca dos meus arremedos

faço implodir meus castelos
arranco a raiz dos cabelos
a caneta presa entre os dedos
rabisca uma história sem cor

meu cansaço esfria o calor
e não faz detonar os levedos
dos olhos derramam colírios
a lavar esquizoides delírios

meus versos se viram em enredos
apartados de algum narrador
minha canção diluída na dor
do eco dos teus rochedos.

Wasil Sacharuk

Da janela virtual


NOP 4 anos - Da janela virtual

O meu maior orgulho enquanto poeta foi o de compartilhar versos de improviso com o poeta Decimar Biagini.

Decimar é um grande amigo gaúcho e primeiro membro da NOP. É um verdadeiro emblema da poesia internética.

Para mim, nada mais justo do que comemorar os quatro anos da NOP publicando um e-book com nossas criações. Estará disponível para download por poucos dias e depois será retirado.

Os amigos que querem baixar podem acessar o link:


Parabéns a todos os nopeanos.