No céu da boca


No céu da boca

A língua invade o céu
mergulha na saliva
sem gosto de fel
deixa a paixão cativa

Num movimento insinua
sibilante, ágil e louca
belezas molhadas e nuas
e pousa dentro da boca

A língua é incisiva
entre crinas de um corcel
bebe sedenta e ativa
os espasmos de mel

Pela janela, entra a lua
encontra corpos suados
encaixados à cena crua
os lábios continuam atados.

Dhenova e Wasil Sacharuk

Inspiraturas