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Fragmentos de um sistema qualquer

Dia desses vi um filósofo 
chorando lágrimas de inexatidão 
sentado na pedra encravada 
solitária no meio do lago
pensava perdido no nada
mas o nada não era vago

cismava fagulhas lastimosas 
do desencanto com a razão
 viveu uma paixão viciosa
com a incerteza dos fatos

Eis que o hiato 
entre o filósofo e o poeta 
é o reduto encantado
onde o fogo insano se aquieta
numa rima pobre.

Poeminha mecânico

Ah! Sim, eu penso por mim
por mim que portanto penso
não lavo de choro meu lenço
tampouco acredito num fim

repenso em como pensar
para aprender com os erros
os cheiros ruins dos desterros
e os barcos que vi naufragar

logo, cogito ergo sum
reviro a fração de um poema
sei fragmentar um sistema
transmuto o um em nenhum

aprendi a pensar a emoção
e chorar lágrimas de poesia
mas me perco da estrela guia
se sonego o valor da razão.

Wasil Sacharuk