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Cueiros Pandos

Cueiros Pandos (oração, penitência e caridade)

Cueiros Pandos I: Andei assombrando natais

Andei por aí
de cueiros pandos
engolindo santos
e outros seres abissais
assombrando natais
e outras fantasias

Andei por aí
inventando poesias
de passagens sombrias
onde não volto jamais
abandono venenos fatais
para acordar no outro dia.

Wasil Sacharuk

…..

Cueiros Pandos II: Embate

Outra vez eu andei por aí
de cueiros pandos
pondo pontos e vírgulas
no fiofó dessa vida

Ela que vive perdida
e eu não me engano
propõe hipóteses absurdas
e coisas que eu nunca vi

A gente vende e revende
e jamais se arrepende
achando que a vida é luta
escravizada na labuta
disso Wasil não entende

Sempre alguém me diz
o quanto é desumano
chutar as bochechas da bunda
dessa gente arrependida

Escutei Fera Ferida
e assisti Garganta Profunda
eu vi que o mundo é insano
e eu sou um aprendiz

Sei que o que bate rebate
e tudo fina no empate
quando eu sair da gruta
chamo um filho da puta
para um novo combate.

Wasil Sacharuk

…..

Cueiros Pandos III: A vida sem vida

Andei novamente por aí
de cueiros pandos
compartilhando o suspiro
desses viventes pobres

faltaram os cobres
para comprar estrutura
ajudar causas nobres
fazer da vida
dolorida
menos dura

que a cura
só depende da gente
já ouvi mil vezes

Passarão muitos meses
talvez passem mil anos
e os tais desenganos
fomentarão outras guerras

Queremos terra
garantir a comida
e a plenitude no amor
tudo isso causa dor
e a vida se encerra
na própria falta de vida.

Wasil Sacharuk

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Cueiros Pandos IV: Perdido nos Cantos da Jupiranga

Andei por aí
de cueiros pandos
perdido nos cantos
da Jupiranga

Ah, poderia ser bamba
se um dia esse pranto
perdesse guarida
para sambar na avenida

Quem me conhece
e lê minha poesia
não esquece
que odeio carnaval
odeio prece
odeio hipocrisia
e, ainda por cima
do tipo que não desanima
e se acha normal

E logo derramo poema
assim meio sem tema
meio sem trégua
sem esquema
e sem régua
pois nenhum dilema
me cala ou me cega

Já contei a história
consulte sua memória
que andei por aí
de cueiros pandos
perdido nos cantos
da Jupiranga

Donde ninguém volta
lá a coisa rola solta
tem água benta atômica
misturada com vodka
capim do diabo e engov
palavra, verso e estrofe.

Wasil Sacharuk