Ao Comparsa Cruzaltino

Ao Comparsa Cruzaltino

Imaginei tantas vezes
que a alma da tal amizade
era um tipo esquisito de sombra

e hoje cevei o meu mate
fui a trote no rumo da lomba
levei cambona, cuia e bomba

de lá a coxilha era um hades
cujo capataz era medonho

eu que troco qualquer sonho
pelo bailado de chinas colonas
as italianas e as alemoas
que batem as coxas cruzaltinas
até onde nasce menina
minha laguna das águas boas

acho que chega a tal amizade
quando me aparto do meu umbigo
e me faz confessar a saudade
de tomar uns mates com o amigo
nos versos xucros de um poema

daí se aguenta o repuxo
quando a friagem se amena
e o nó dos laços gaúchos
emparelham abraços apertados

e a tristeza mijada das cantilenas
secará nesses dias ensolarados.

wasil sacharuk

Inspiraturas