Seara

Breve relato daquilo que hoje eu sinto

Breve relato daquilo que hoje eu sinto

Hoje sinto
o quanto te quero

e, também, que o espaço
que ocupamos
é pequeno demais

daí preciso tocar
beijar tua boca
deslizar dois dedos
em tua face

beijar teu nariz e teu queixo
para morrer
a morder teu pescoço
e tua nuca

sei que esse espaço
não é regaço
do que espero para nós

nós que somos tão sós
a desatar esses laços
viver sufocados entre nós

de ti espero os anseios
que farão dormir meus receios
quando deito a cabeça
em teu seio

quero
e espero
que a espera adormeça
e eu encontre tua beleza
que me encanta

e deslizar em tuas ancas
beijar teus segredos

lá esquecer os meus medos
perdidos entre língua e dedos
e a vontade mágica de te amar

também sinto que invades
os meus desejos
sem aviso e nem ensejo

hoje sinto
a necessidade de te entrar.

wasil sacharuk

Seus Doçulábios


Seus doçulábios

Não conseguia
pobre menina
cerrar seus duçulábios
e ninguém entendia
a sua formigação
de sonhar todo dia
com duplapenetração

o melhor do tesão 
era viver baixaria
tipo algo diferente
um pedeporco na frente
um cacetete no rabo

banana, cenoura, nabo
nada disso servia
achava tudo nojento
queria comer o sargento
também pagava o cabo

e seus doçulábios
que já foram doces
jamais foram sábios
ganharam sabor de fel
hoje engolem o soldado
e amanhã o quartel.

Wasil Sacharuk

Ao Comparsa Cruzaltino

Ao Comparsa Cruzaltino

Imaginei tantas vezes
que a alma da tal amizade
era um tipo esquisito de sombra

e hoje cevei o meu mate
fui a trote no rumo da lomba
levei cambona, cuia e bomba

de lá a coxilha era um hades
cujo capataz era medonho

eu que troco qualquer sonho
pelo bailado de chinas colonas
as italianas e as alemoas
que batem as coxas cruzaltinas
até onde nasce menina
minha laguna das águas boas

acho que chega a tal amizade
quando me aparto do meu umbigo
e me faz confessar a saudade
de tomar uns mates com o amigo
nos versos xucros de um poema

daí se aguenta o repuxo
quando a friagem se amena
e o nó dos laços gaúchos
emparelham abraços apertados

e a tristeza mijada das cantilenas
secará nesses dias ensolarados.

wasil sacharuk

wasil sacharuk - A Busca


A busca

“Quanto tempo temos antes de voltarem, aquelas ondas?
Que vieram como gotas em silêncio, tão furioso.
Derrubando homens entre outros animais,
Devastando a sede desses matagais.
Devorando árvores, pensamentos, seguindo a linha,
Do que foi escrito pelo mesmo lábio, tão furioso.
E se seu amigo vento não te procurar,
É porque multidões ele foi arrastar.”
(Eternas ondas – Zé Ramalho)


            É madrugada e pode-se claramente ouvir os passos. São curtos e rápidos. Os cabelos da mulher estão totalmente ocultos pelo capuz negro que revela apenas pequena parte da face de pele muito branca. E ela avança pela escura ruela banhada por uma contínua e espessa chuva que traz a promessa de não se esgotar. Molhadas, as vestes negras aderem totalmente às formas do corpo da mulher.
            -É preciso encontrá-lo já e antecipar-me ao vento que quer tomá-lo de mim.
            As águas que caem do céu encontram o chão de pedras, e quando unidas ao sopro drástico do vento, compõem um misterioso som que se apodera do vazio noturno. A tormenta obriga a pressa dos passos.
            -Talvez não haja mais tempo para dissuadi-lo!
            O lado direito revela o caminho que deve ser tomado e conduz inevitavelmente à velha ponte. Faz-se necessária a travessia para quem quer seguir o rumo que alcança o alto do monte.
            O capuz molhado ainda absorve a chuva que se mistura às lágrimas que descem pela suavidade do rosto jovem.
            Passos decididos vencem a travessia da ponte e investem cansados contra o alto. A força supera a pressa e no frágil corpo transparece toda a angústia e o desespero. Incontáveis passos firmes serão ainda precisos sobre o solo enlamaçado que conduz ao topo.
            Estará ele ainda lá?
            A fadiga mina a vontade e debilita a matéria. Ao cessar das forças, a natureza se encarrega de orquestrar o ato final.
            Com os joelhos afundados no barro a mulher tem as lágrimas secas pelo espanto. Por um breve instante cessou todo o medo, mas não há mais fôlego.
            Surgindo pleno de glória da margem do precipício, um homem abre os braços prontos a agarrar-se no mundo e, tal como um corajoso pássaro, desafia a grande chuva e as alturas, em nome da liberdade.

Wasil Sacharuk

Padrões Repetitivos e a Alteridade

Padrões Repetitivos e a Alteridade 

Quando criança de quatro ou cinco anos, ele batia na prima e, antes mesmo que a vítima esboçasse qualquer reação, o pirralho se desatava num choro ensurdecedor envolto numa atmosfera de penúria. Seus pais e tios jamais souberam ao certo quem era a vítima da ocasião, já que após o estardalhaço, acusava a prima de ter lhe espancado. A menina contestava, mas tinha um ano a menos do que ele e seus argumentos eram menos convincentes. Logo, o algoz resultava vitorioso no ringue da manipulação psicológica. 

Esse subterfúgio obteve relativa eficácia durante o seu desenvolvimento, daí, foi mantido, aprimorado e estendido até a entrada da terceira idade. Passou deliberadamente a culpar os que estavam mais próximos pelos seus próprios erros e vícios. E o mais surpreendente é que ele mesmo passava a acreditar nas  afirmações falaciosas. O sucesso da demanda dependia dessa crença. Apenas não chorava mais como criancinha mimada, mas metia o dedo na cara dos viventes e os enchia de falsas acusações. Era uma forma de autoproteção. 

Traia a todos, continou traindo e culpando suas vítimas de traição. Durante seus três ou quatro casamentos nutriu impulsos sexuais pervertidos que saciava às escuras enquanto produzia os motivos e crenças que o fariam acusar a esposa de uma perfídia equivalente a que ele mesmo cometera.

Era um belo e desejado homem, que viveu a vida inteira assim, fazendo-se passar por um anjo bom.  Entretanto, elegia aos outros como os demônios que assombravam sua vida. Apenas não percebeu que jogou a responsabilidade pela própria felicidade na mão desses demônios. Afinal, era impossível acusar qualquer mulher canalha de um dia tê-lo feito feliz. 

wasil sacharuk

Cueiros Pandos

Cueiros Pandos (oração, penitência e caridade)

Cueiros Pandos I: Andei assombrando natais

Andei por aí
de cueiros pandos
engolindo santos
e outros seres abissais
assombrando natais
e outras fantasias

Andei por aí
inventando poesias
de passagens sombrias
onde não volto jamais
abandono venenos fatais
para acordar no outro dia.

Wasil Sacharuk

…..

Cueiros Pandos II: Embate

Outra vez eu andei por aí
de cueiros pandos
pondo pontos e vírgulas
no fiofó dessa vida

Ela que vive perdida
e eu não me engano
propõe hipóteses absurdas
e coisas que eu nunca vi

A gente vende e revende
e jamais se arrepende
achando que a vida é luta
escravizada na labuta
disso Wasil não entende

Sempre alguém me diz
o quanto é desumano
chutar as bochechas da bunda
dessa gente arrependida

Escutei Fera Ferida
e assisti Garganta Profunda
eu vi que o mundo é insano
e eu sou um aprendiz

Sei que o que bate rebate
e tudo fina no empate
quando eu sair da gruta
chamo um filho da puta
para um novo combate.

Wasil Sacharuk

…..

Cueiros Pandos III: A vida sem vida

Andei novamente por aí
de cueiros pandos
compartilhando o suspiro
desses viventes pobres

faltaram os cobres
para comprar estrutura
ajudar causas nobres
fazer da vida
dolorida
menos dura

que a cura
só depende da gente
já ouvi mil vezes

Passarão muitos meses
talvez passem mil anos
e os tais desenganos
fomentarão outras guerras

Queremos terra
garantir a comida
e a plenitude no amor
tudo isso causa dor
e a vida se encerra
na própria falta de vida.

Wasil Sacharuk

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Cueiros Pandos IV: Perdido nos Cantos da Jupiranga

Andei por aí
de cueiros pandos
perdido nos cantos
da Jupiranga

Ah, poderia ser bamba
se um dia esse pranto
perdesse guarida
para sambar na avenida

Quem me conhece
e lê minha poesia
não esquece
que odeio carnaval
odeio prece
odeio hipocrisia
e, ainda por cima
do tipo que não desanima
e se acha normal

E logo derramo poema
assim meio sem tema
meio sem trégua
sem esquema
e sem régua
pois nenhum dilema
me cala ou me cega

Já contei a história
consulte sua memória
que andei por aí
de cueiros pandos
perdido nos cantos
da Jupiranga

Donde ninguém volta
lá a coisa rola solta
tem água benta atômica
misturada com vodka
capim do diabo e engov
palavra, verso e estrofe.

Wasil Sacharuk

Na cauda da liberdade


Na cauda da liberdade

Tu, que és pedra 
de tão bruta
e de incertas facetas

não tens asas abertas
leveza graciosa e astuta

Tu, que te estreitas
e escapas da cura
não queres ser poliedro

serás lapidada nas perdas
com cinzel de ponta dura

Tu, que não te aceitas
tens a solidez dos segredos
e a solidão da clausura

quando te livras dos medos
encontras o que procuras

atrelada a uma borboleta.

Wasil Sacharuk

O sopro melancólico do Minuano

O sopro melancólico do Minuano


Após o longo período de chuvas intensas, fazia dois graus centígrados na Lagoa da Pérola.

Foi preciso estender as roupas no varal. O vento frio cortou e provocou calafrios. O cão das articulações congeladas e da pata quebrada tentou dançar solene com os respingos da toalha de banho encharcada de solidão. E mais um longo fio de negro cabelo foi encontrado escondido entre as fibras de algodão da meia branca (já nem tão alva).

Durante o início da tarde estive eu, a pregar lembranças para secar no sopro melancólico do Minuano.

Nesse dia, o vento não fez música.

wasil sacharuk

Fragmentos de um sistema qualquer

Dia desses vi um filósofo 
chorando lágrimas de inexatidão 
sentado na pedra encravada 
solitária no meio do lago
pensava perdido no nada
mas o nada não era vago

cismava fagulhas lastimosas 
do desencanto com a razão
 viveu uma paixão viciosa
com a incerteza dos fatos

Eis que o hiato 
entre o filósofo e o poeta 
é o reduto encantado
onde o fogo insano se aquieta
numa rima pobre.

Poeminha mecânico

Ah! Sim, eu penso por mim
por mim que portanto penso
não lavo de choro meu lenço
tampouco acredito num fim

repenso em como pensar
para aprender com os erros
os cheiros ruins dos desterros
e os barcos que vi naufragar

logo, cogito ergo sum
reviro a fração de um poema
sei fragmentar um sistema
transmuto o um em nenhum

aprendi a pensar a emoção
e chorar lágrimas de poesia
mas me perco da estrela guia
se sonego o valor da razão.

Wasil Sacharuk


Poema do Fogo


Poema do Fogo

Hoje queimo a matéria no fogo
a matéria é o pão
é decerto as tiranias

disfarçadas democracias
o corpo enseja a competição
ei poeta, louco 
qual seu lugar nesse jogo?

raiva, medo
uma mancha no pulmão
taquicardias, esquizofrenias
desveladas rebeldias
ataques no coração

caricatura das manias
das angústias, agonias
o poeta não é demagogo
e vai vomitar emoção
hoje o dia é da destruição

ei poeta, louco
hoje queimo a matéria no fogo!

Wasil Sacharuk

O poeta não é demagogo e vai vomitar emoção. Foi assim que a poesia se fez para mim. 
Passados os anos e agora cada palavra sustenta o verso ao encontro de um silêncio.
E o silêncio mudo tagarela pelas imagens.
Eis a poesia ágil como a língua e estanque como a fotografia.

Caso Catilinas com Comandante Continente Chamado Carnaval

Conversei com Catilinas coisas concenentes conjuntura continental.
Catilinas comentou comigo como conseguiu conversar com criatura
comandante continente chamado Carnaval.

Carnaval confere com campos consagrados, cujas criações conferem com criaturas com cabeça criativa. Carnaval comercializa com
continentes centrais. Comandante Carnaval contente com comércio carnes,
cabeças caprinas, carvão, combustível, cachaça, commodities, cetera,

Compete companheiro Catilinas conseguir comercializar centenas cabeças
cavalo crioulo com Comandante Carnaval, conquanto Catilinas consiga
convencer criatura com compra.

Conforme chegou casa comandante continental, Catilinas chamou criatura,
chefe criadagem, convocar Comandante comparecer centro casa com condição
concluir compra cabeças cavalos crioulos.

Comandante compareceu, Catilinas "caiu com cara chão" conforme conheceu
comandante cara cara. Comandante com corpo curvilíneo cheio, com cabelos
colados como capacete. Catilinas custou crer: Comandante Continente
chamado Carnaval continha chereca!

Catilinas custou crer, contudo, concordou com condição conquanto continuou conversação.

Catilinas:
Como criatura consegue comandar continente com chereca centro coxas? Credo!

Comandante Carnaval:
Calado, criatura. Comandante conseguiu comprar cirurgia com cirurgião
corporal. Cirurgião colocará cimento cirúrgico centro clitóris
comandante continental criando coisa cabeçuda. Conforme cambiar clitóris
com coisa cabeçuda, comandante cultivará cabelos cara, Comandante
camuflará círculos cheios corporais com cinta colante, copiará corte
cabelo careca criatura Cara Cabeludo, comprará cuecas com coraçõezinhos
coloridos. cetera. Comandante Carnaval compete conquistar coração
concubinas.

Catilinas:
Cruzes!
----------------------
Como Catilinas conseguiu conduzir Comandante Carnaval cama
(compete correr com crianças cara cara com computador)
Caía chuva cruel...Chuva constituiu córrego caudaloso
cobrindo calçadas. Criaturas conduziam carros com cuidado.
Catilinas compareceu chat comunidade computadorizada
conversou calmamente com criaturas comunitárias.
Consumiu cinco cervejas, copinhos com conhaque,
comeu canapés, cogumelos com champagne...
Criatura com cabeleira colada como capacete, cuja competência
consiste comandar continente chamado Carnaval, compareceu chat.
Catilinas começou conduzindo conversação:
-Cara comandante, como consiste comando Carnaval?
-Cabal, caro Catilinas, criaturas carecem comer, carecem
comprar carros, casas, conforme crescem condições consumo
continente.
-Credo, criatura, com certeza Catilinas carece comer...
concorda companheira?
-Como?!
-Catilinas carece conceber coito computadorizado com cara
comandante. Concorda?
-Cruzes, Catilinas, comandante carece consultar conselheiros.
-Consultar conselheiros? Credo, criatura, coito computadorizado
confere com coisa comum com criaturas.
Cabe comandante consentir.
-Claro, companheiro. Comandante consente, conquanto Catilinas
conduza coito com cuidado.
-Certamente conduzirei com cuidado... com critério.
-Comece, caro Catilinas...
-Claro, comandante... começarei carinhando cabeleira...
concomitantemente, compartilharemos cuspes.
-Caro Catilinas... comandante com calor corporal.
-Catilinas cobrirá círculos cuneiformes com carícias.
-Cruzes, caro... corpo comandante com combustão.
-Catilinas colocará cabeça centro coxas comandante, conquanto
comandante continue contorcendo corpo... colocando clitóris
centro cara Catilinas...
-Continue, caro, continue...
-Conforme comandante consentir calças cor caqui cairem,
Catilinas comerá círculo comandante com carinho.
-Comer círculo?
-Claro, Catilinas colocará coisa colossal centro círculo.
-Caraca! Catilinas confundindo círculo comandante com cratera!
-Consente Catilinas comer círculo, comandante?
-Credo, Catilinas... compete comandante chamar conselheiros...
Catilinas com coisa colossal corromperá comando Carnaval.
Wasil Sacharuk

Televisão

Televisão

Ainda bem que o céu ainda não despencou sobre as cabeças. Que poupe a nós, que vimos as nossas vidas parcas cobertas de fogo e lava sobre o intento da beleza.
A arte coitada sucumbiu em favor da mídia que bombardeia com gana e engana com sedução e astúcia ofídia. Esqueceram-se as delicadezas. E o tolo, idólatra de merda, repete a programação ao acaso. E das nossas certezas,sobrou apenas esse acaso.
Dizem que a vida vai de mal a pior. Dizem tanto, mas tanto, que já sei de cor, mas sei, também, que isso nada muda.
É melhor ficarmos atentos e aguardar que chegue um momento qualquer. Algo que faça diferença aos nossos moles miolos. Melhor esperar por alguma dor, talvez, ruptura. Alguns, decerto, desatarão em plena oração, outros tantos reclamarão que a vida é dura. Mas, disso eu já sei.
Ainda melhor que é farta a programação. Senão, restaria comentar as intempéries com o outro zumbi na fila do banco.
Podemos não entender o telejornal. Podemos rediscutir futebol. Olhar para a tela da vida pintada por uma novela e sonhar em ter alguma paixão. Somos uma nação de merda, comandada pela merda da televisão.

wasil sacharuk


É um grande prêmio ser mimado pela sensacional poetisa Márcia Poesia de Sá


Cara! te ler é vicio...é presidio e liberdade.
é por a face na face da idade, é voltar a acreditar

Cara, te ler...
é embarcar em tua nau...mergulhar num abissal...
sacudir, sobreviver!

Cara!!! Te ler...
é privilégio e delírio...
é perder o fôlego... e num riso
rir até amanhecer...

Cara...Obrigada!
deixa-me dizer assim na lata:

EU AMO LER VOCÊ!!!

MSÁ

Macromaníaca


Macromaníaca

Oi gato
sou mulher
do tipo casada 
e para quem me quer
eu vou dizer:

procuro homem sensível
carinhoso
que tenha pau grande
para me satisfazer

meu gostoso
vem que tem
mas o mais importante
além do pau generoso
é saber mentir bem.

Wasil Sacharuk

Acaso quisesse morderia



Acaso quisesse morderia

Acaso ela quisesse
engoliria o parceiro
até o teto do céu
o gosto agridoce
de leite com mel

talvez ela fosse
a heroína no corcel
a montá-lo inteiro
em galope ligeiro
e as crinas nas faces

os medos recriam enlaces
histórias sem roteiro
desse mundo cruel

e se ela quisesse
faria pedaços do parceiro
para cumprir seu papel
de morte com cheiro de noite
e sorte com gosto de fel.

Wasil Sacharuk