Sirena


Sirena

Sou a heróica razão
o veneno que bate
em um coração
deusa dos mitos
entrave às logias
 
Sou a virgem mais bela
estou na rebeldia
desses rochedos
sobrevoo as cadeias
como a ave insana
guardiã dessa ilha
onde guardam segredos

Dos bancos de areia
provarão o encanto
de minha cantoria
que tanto suplanta
o eco dos gritos

Estou entre os vivos
sou a imagem profana
que habita a fantasia
no sacrifício dos ritos

A voz doce de ambrosia
dos sábios contritos
e da bebedeira dos bardos
dos versos declamados
nos saraus de poesia

Sou a ninfa dos medos
e aos embarcados
que chegam ofegantes
ofeceço meus zelos

Eu me rendo aos apelos
e sequer desconfiam
que sou a harpia
que os convida
a morrerem aflitos
e à revelia

Amaldiçoei Afrodite
ela meu deu
penas negras
do universo de pedra
me fez confinada
a eterna espera

Nenhum deus
ou outro Odisseu
silenciará o meu canto
com ouvidos de cera

Quem dera
de garganta cortada
e alma ferida
escapem com vida
aos meus encantos
ou às unhas afiadas.

Wasil Sacharuk