Passitos, no màs

Passitos, no màs

Nem todo passito é bailado
no doispracá das inquietudes
doispralá, frioleiras e ninharias

nem sempre os cruéis amiúdes
com todas as outras asneiras
se expurgam em versos livres
da mais putaça das poesias

e pior que nem sempre se vive
no calor da vaneira trançada
a trocar beijos e outras águas
entre cheiros, buracos e matos

mas nem sempre é tão bruta
quando cai da mão dos algozes
um bolsafamília e umas nozes
para um par de poetas sem dentes

nem sempre se dança de frente
às vezes se dança de lado
se o malvado ritmo descamba
dá chilique em letra de fado
faniquito em roda de samba

mas hoje eu apenas queria
ouvir a canção nascer da poesia
dançar com a bugra de rosto colado.

Wasil Sacharuk

Inspiraturas