Exposição

Exposição

Essas doutas
que estendem varais
são artistas morenas

feições amenas
cansadas da lida
tatuadas dos ais

da vida.

Wasil Sacharuk

O pueril balanço das roupas


O pueril balanço das roupas

A disposição era torta
contemporânea instalação
expostas em qualquer bienal
numa concepção universal

pendiam sarrafos do chão
tal atlas das roupas rotas
uma jazida de células mortas
oculta nos poros de um blusão

das brisas que sopram  varal
ventam roupas em cor desigual
pingos pingados na imensidão
numa organização tão incerta

pediam por uma área aberta
para poder arejar o colchão
e secar os fluidos ao sol
esfregados com branco total

com gancho, grampo e cordão
penduravam um mar de gotas
de limpas, cheirosas e fofas
tramas téxteis de ilusão

wasil sacharuk


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Qualquer distinto poeta


Qualquer distinto poeta

Se nalgum desses dias
qualquer distinto poeta
se bater em retirada
    que ninguém se preocupe

não é mais que nada
quando há coisas mais
notoriamente importantes
com o que se preocupar

Se nalgum desses dias
qualquer distinto poeta
inventar de fazer revoada
    que ninguém se perturbe

vem de asa quebrada
novamente na busca da paz
sempre tão distante
que não consegue alcançar.

Wasil Sacharuk

Passitos, no màs

Passitos, no màs

Nem todo passito é bailado
no doispracá das inquietudes
doispralá, frioleiras e ninharias

nem sempre os cruéis amiúdes
com todas as outras asneiras
se expurgam em versos livres
da mais putaça das poesias

e pior que nem sempre se vive
no calor da vaneira trançada
a trocar beijos e outras águas
entre cheiros, buracos e matos

mas nem sempre é tão bruta
quando cai da mão dos algozes
um bolsafamília e umas nozes
para um par de poetas sem dentes

nem sempre se dança de frente
às vezes se dança de lado
se o malvado ritmo descamba
dá chilique em letra de fado
faniquito em roda de samba

mas hoje eu apenas queria
ouvir a canção nascer da poesia
dançar com a bugra de rosto colado.

Wasil Sacharuk

Sirena


Sirena

Sou a heróica razão
o veneno que bate
em um coração
deusa dos mitos
entrave às logias
 
Sou a virgem mais bela
estou na rebeldia
desses rochedos
sobrevoo as cadeias
como a ave insana
guardiã dessa ilha
onde guardam segredos

Dos bancos de areia
provarão o encanto
de minha cantoria
que tanto suplanta
o eco dos gritos

Estou entre os vivos
sou a imagem profana
que habita a fantasia
no sacrifício dos ritos

A voz doce de ambrosia
dos sábios contritos
e da bebedeira dos bardos
dos versos declamados
nos saraus de poesia

Sou a ninfa dos medos
e aos embarcados
que chegam ofegantes
ofeceço meus zelos

Eu me rendo aos apelos
e sequer desconfiam
que sou a harpia
que os convida
a morrerem aflitos
e à revelia

Amaldiçoei Afrodite
ela meu deu
penas negras
do universo de pedra
me fez confinada
a eterna espera

Nenhum deus
ou outro Odisseu
silenciará o meu canto
com ouvidos de cera

Quem dera
de garganta cortada
e alma ferida
escapem com vida
aos meus encantos
ou às unhas afiadas.

Wasil Sacharuk

Fadinha


Fadinha

Fadinha de vestido rosa
e de cabelos violeta
trocou poesia por prosa
mudou a ordem das letras

trouxe um bouquet de cores
com beijos de borboletas
e quis uma paleta de flores
plasmada nas asas abertas

Fadinha nem sempre acerta
sua mágica não é perfeita
contudo se ama e se aceita
por isso ela é muito esperta.

Wasil Sacharuk

Eutanásia

Eutanásia

A ti eu abri uma porta
e somente isso importa
já que pedias passagem
desliguei os botões
mandei o ar dos pulmões
soprarem as asas
na leveza da viagem
para tua nova morada

Joguei-te à própria sorte
no golpe do último corte
soltei a tua ancoragem
e baixei a pressão
que forçava o teu coração
a bater sem palavras
sem ritmo e sem emoção
bater a troco de nada

E por um momento
acreditei
aliviar teu sofrimento
e também o meu
talvez disseste amém
talvez eu disse adeus.

Wasil Sacharuk

Farpados

Farpados

Meus instintos
são versos infames
chegam bem antes
que se declame
ou que os enlace

outras faces
estranhos nomes
talvez diamantes
ou falta de lume

rumos distintos
éter e absinto
e farpas de arames
cortantes.

Wasil Sacharuk

Pão



Pão

Plantarei o trigo em solo fecundo
a ostentar a alva pele de cordeiro
quiçá limparei os pecados do mundo
da massa fermentada serei padeiro

Espírito servido ao café da manhã
que sacia o amor no estilo caseiro
com hóstias, brioches e croissants
o divino calor que emana do cheiro

Da casquinha crocante da eucaristia
vou sovar cereal com força e poesia
terei água e sal em plena comunhão

Na mistura de letras dessa ladainha
o bromato se eleva sutil na farinha
engendra o milagre da multiplicação.

Wasil Sacharuk

Desafinos

Desafinos

Riscou o croqui da gravura
rabiscos sem qualquer direção
sem lápis e com unha dura
no couro do lombo de uma canção

Aproveitou e mandou a amargura
pastar bem longe na imensidão
e segue a buscar a sua cura
nos cruéis desafinos do violão

Um dia escreveu uma cantiga
em que dizia para a musa amiga
das dores pontudas no coração

Outro dia escreveu uma milonga
que chorava no curso da sanga
e ecoava saudades nesse rincão.

Wasil Sacharuk

Televisão

Televisão

Ainda bem que o céu ainda não despencou sobre as cabeças.

Vimos as vidas cobrindo de fogo e lava o intento da beleza.
A arte sucumbiu em favor da mídia que bombardeia com gana e engana com astúcia ofídia. Esqueceram as delicadezas.
E das nossas certezas,sobrou apenas o acaso.

Dizem que a vida vai de mal a pior. Dizem tanto, mas tanto, que já sei de cor.
É melhor ficarmos atentos e aguardar o momento. Melhor esperar por alguma dor. Ou talvez ruptura. Alguns, decerto, vão desatar em oração, outros tantos reclamarão que a vida é dura.

Ainda bem que é farta a programação. Ou comentaremos as intempéries.

Podemos não entender o telejornal e rediscutir futebol. Olhar para a tela da vida pintada por uma novela e sonhar em ter alguma paixão.

Wasil Sacharuk


www.sacharuk.com

Caso Catilinas com Comandante Continente Chamado Carnaval

Conversei com Catilinas coisas concenentes conjuntura continental.
Catilinas comentou comigo como conseguiu conversar com criatura
comandante continente chamado Carnaval.


Carnaval confere com campos consagrados, cujas criações conferem com criaturas com cabeça criativa. Carnaval comercializa com
continentes centrais. Comandante Carnaval contente com comércio carnes,
cabeças caprinas, carvão, combustível, cachaça, commodities, cetera,


Compete companheiro Catilinas conseguir comercializar centenas cabeças
cavalo crioulo com Comandante Carnaval, conquanto Catilinas consiga
convencer criatura com compra.


Conforme chegou casa comandante continental, Catilinas chamou criatura,
chefe criadagem, convocar Comandante comparecer centro casa com condição
concluir compra cabeças cavalos crioulos.


Comandante compareceu, Catilinas "caiu com cara chão" conforme conheceu
comandante cara cara. Comandante com corpo curvilíneo cheio, com cabelos
colados como capacete. Catilinas custou crer: Comandante Continente
chamado Carnaval continha chereca!


Catilinas custou crer, contudo, concordou com condição conquanto continuou conversação.


Catilinas:

Como criatura consegue comandar continente com chereca centro coxas? Credo!


Comandante Carnaval:

Calado, criatura. Comandante conseguiu comprar cirurgia com cirurgião
corporal. Cirurgião colocará cimento cirúrgico centro clitóris
comandante continental criando coisa cabeçuda. Conforme cambiar clitóris
com coisa cabeçuda, comandante cultivará cabelos cara, Comandante
camuflará círculos cheios corporais com cinta colante, copiará corte
cabelo careca criatura Cara Cabeludo, comprará cuecas com coraçõezinhos
coloridos. cetera. Comandante Carnaval compete conquistar coração
concubinas.


Catilinas:

Cruzes!

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Como Catilinas conseguiu conduzir Comandante Carnaval cama

(compete correr com crianças cara cara com computador)

Caía chuva cruel...Chuva constituiu córrego caudaloso
cobrindo calçadas. Criaturas conduziam carros com cuidado.

Catilinas compareceu chat comunidade computadorizada
conversou calmamente com criaturas comunitárias.

Consumiu cinco cervejas, copinhos com conhaque,
comeu canapés, cogumelos com champagne...

Criatura com cabeleira colada como capacete, cuja competência
consiste comandar continente chamado Carnaval, compareceu chat.

Catilinas começou conduzindo conversação:

-Cara comandante, como consiste comando Carnaval?
-Cabal, caro Catilinas, criaturas carecem comer, carecem
comprar carros, casas, conforme crescem condições consumo
continente.
-Credo, criatura, com certeza Catilinas carece comer...
concorda companheira?
-Como?!
-Catilinas carece conceber coito computadorizado com cara
comandante. Concorda?
-Cruzes, Catilinas, comandante carece consultar conselheiros.
-Consultar conselheiros? Credo, criatura, coito computadorizado
confere com coisa comum com criaturas.
Cabe comandante consentir.
-Claro, companheiro. Comandante consente, conquanto Catilinas
conduza coito com cuidado.
-Certamente conduzirei com cuidado... com critério.
-Comece, caro Catilinas...
-Claro, comandante... começarei carinhando cabeleira...
concomitantemente, compartilharemos cuspes.
-Caro Catilinas... comandante com calor corporal.
-Catilinas cobrirá círculos cuneiformes com carícias.
-Cruzes, caro... corpo comandante com combustão.
-Catilinas colocará cabeça centro coxas comandante, conquanto
comandante continue contorcendo corpo... colocando clitóris
centro cara Catilinas...
-Continue, caro, continue...
-Conforme comandante consentir calças cor caqui cairem,
Catilinas comerá círculo comandante com carinho.
-Comer círculo?
-Claro, Catilinas colocará coisa colossal centro círculo.
-Caraca! Catilinas confundindo círculo comandante com cratera!
-Consente Catilinas comer círculo, comandante?
-Credo, Catilinas... compete comandante chamar conselheiros...
Catilinas com coisa colossal corromperá comando Carnaval.

Wasil Sacharuk

Nenúfar



Nenúfar

Se te fazes
morena, assim
tão ninfácea
és nenúfar
que se destaca
doutros nenúfares
desse grande jardim

Se te quero possuir
e espero que sim
escalo tuas montanhas
alucino nas curvas
em total sincronismo
entre a estrada
e o fio do abismo

Empresta tuas águas
às minhas chuvas
e às enxurradas
ao olhar de Jaci
a agarrar o firmamento

Espero o momento
de beijar-te morena
de pele tão branca
que fica rosada
ao pordossol ciumento.

Wasil Sacharuk