das Mortes Sucessivas

das Mortes Sucessivas

Que eterna sejas
de asas abertas
sobre os lamentos
das mortes sucessivas

morres queimada
em azeite bento
e das tuas cinzas
virão novas cores

assim desafias
a finitude das sortes
altiva reapareces
se ouves as preces

iluminas as flores
suportas o peso no bico
desse mundo sedento

tuas penas douradas
de cinco longos séculos
cortam os ventos
jogam cinzas ao deus-sol
nove vidas de corvo
oferendas ao arrebol

a pira consome
canela, mirra, sálvia
o milagre das tuas cinzas
traz retorno à vida
se a vida se some

e tua garantia
sempre virá o tal dia
de ter a alma combalida
num pretexto infame.

Wasil Sacharuk